Qual é o significado da Parábola do Fariseu e do Cobrador de Impostos?

Qual é o significado da Parábola do Fariseu e do Publicano?

A Parábola do Fariseu e do Publicano no Templo é rica em verdades espirituais. De fato, ela contém a essência do evangelho de Jesus Cristo. Jesus contou essa parábola para aqueles que “confiavam em si mesmos por serem justos e desprezavam os outros”. Ele frequentemente abordava a questão da justiça, instando seus ouvintes a entenderem sua completa incapacidade de se tornarem justos o suficiente para alcançar o reino dos céus. Esse entendimento era fundamental para que pudessem compreender Sua missão na Terra, que era salvar os pecadores — aqueles que sabiam que não podiam se salvar por conta própria.

Por outro lado, os fariseus acreditavam que sua própria bondade era tão impressionante que os tornava automaticamente aceitáveis a Deus. Eles se apegavam rigorosamente às cerimônias e tradições da lei, exibindo publicamente sua religiosidade para serem vistos pelos outros, muitos dos quais desprezavam por considerá-los inferiores. O fariseu da história exemplifica alguém que se justifica por si mesmo. Observe que sua oração não contém nenhum elemento de confissão; ele não pede perdão pelos seus pecados, talvez por crer que não há nada a confessar. Tampouco há qualquer palavra de louvor ou gratidão a Deus. Sua oração é completamente centrada em si mesmo, inclusive os agradecimentos que faz visam exaltá-lo e colocá-lo acima daqueles que trata com desdém. Ao comparecer ao templo para orar com o coração cheio de orgulho, ele praticamente não cumpre o propósito da oração, a qual não é ouvida por Deus.

Diferentemente do fariseu, que se mostrava confiante no templo recitando suas orações de autoelogio, o publicano permanecia à distância, possivelmente em uma sala externa, longe do fariseu, que se ofenderia com sua proximidade. Cobradores de impostos, por sua associação com os romanos odiados, eram vistos como traidores de Israel, sendo desprezados e tratados como párias. A postura do publicano demonstrava sua indignidade perante Deus. Incapaz sequer de erguer os olhos ao céu, o peso de sua culpa e vergonha era esmagador, tornando seu fardo insuportável. Dominado pelo arrependimento, ele batia no peito em sinal de tristeza e suplicava a Deus por misericórdia. Essa oração sincera é exatamente a que Deus espera ouvir, e sua atitude de humildade é o que Ele deseja de todos que se dirigem a Ele.

O publicano ilustra perfeitamente o que Jesus disse no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Ser pobre de espírito implica admitir que não temos nada a oferecer a Deus para expiação dos nossos pecados. Chegamos a Ele desprovidos, empobrecidos, desprezados, sem recursos e em total desespero. Ao reconhecer sua condição pecaminosa, o publicano busca a única solução capaz de aproximá-lo de Deus: a misericórdia divina. Ele clama “Tem misericórdia de mim” e, conforme o desfecho da parábola, Deus ouviu sua súplica e o justificou. Jesus ensina que o publicano foi justificado justamente porque se humilhou perante Deus, confessando que nenhuma quantidade de obras poderia salvá-lo e que somente a misericórdia divina podia restaurá-lo.

Se nos contristarmos verdadeiramente pelos nossos pecados, podemos ter a certeza do amor e perdão ilimitados de Deus por meio de Cristo. Nenhuma obra, frequência a cultos, pagamentos ou ações de bondade são suficientes para remover a mancha do pecado e nos capacitar a ficar diante de um Deus santo por nossos próprios méritos. Foi por isso que Deus enviou Jesus para morrer na cruz, pois Sua morte é a única obra capaz de nos purificar e nos tornar aceitáveis a Deus.

Além disso, não devemos cometer o erro de nos comparar com os outros, baseando nossa confiança nessas comparações, pois, ao fazê-lo, acabamos por desprezar aqueles ao nosso redor. Nosso padrão de comparação deve ser o próprio Deus, em cuja presença todos nós, inevitavelmente, ficamos aquém de Sua glória.

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