Qual foi a mensagem de Jesus para a igreja de Esmirna em Apocalipse?
Esmirna era uma cidade grande e importante na costa ocidental da Ásia Menor, famosa por suas escolas de medicina e ciências. As palavras de Jesus para a igreja de Esmirna, registradas em Apocalipse 2:8-11, oferecem uma visão sobre a vida de uma congregação do primeiro século e trazem diversas aplicações para os crentes de hoje.
A mensagem vinha do Senhor Jesus Cristo: “Estas são as palavras daquele que é o Primeiro e o Último, que morreu e veio à vida novamente”. A única identidade possível para o Primeiro e o Último, assim como para o Ressuscitado, era Jesus Cristo.
Jesus inicia reconhecendo as provações que eles enfrentavam: “Sei das tuas aflições e da tua pobreza — mas és rico! Sei da difamação daqueles que se dizem judeus e que não o são, mas que, na verdade, são uma sinagoga de Satanás”. Apesar da pobreza física, a igreja de Esmirna era “rica” devido a uma riqueza espiritual que jamais poderia ser tirada deles.
Sobre a identidade da “sinagoga de Satanás”, existem duas interpretações. A primeira sugere que esse grupo era formado por gentios que se autodenominavam “judeus” (ou seja, o povo escolhido de Deus). Em vez de seguir o judaísmo, esses autoproclamados “povo de Deus” adoravam o imperador romano e se opunham aos cristãos de Esmirna.
A outra interpretação defende que a “sinagoga de Satanás” representava judeus que, embora seguissem as tradições e a Lei mosaica, na verdade não conheciam a Deus. Eles não eram “judeus” no sentido de possuírem a fé de seu pai Abraão e se encontravam “com Satanás” por terem rejeitado Jesus Cristo. Jesus enfrentou muitos líderes religiosos desse tipo, assim como o apóstolo Paulo, que diferenciava os judeus verdadeiros (espirituais) daqueles que apenas tinham uma ligação física com Abraão, afirmando que “o homem não é judeu somente de fora, nem a circuncisão é apenas externa e física; mas o homem é judeu se for um por dentro, e a circuncisão é do coração, realizada pelo Espírito, e não pela letra da lei”.
Um fator que reforça a segunda visão foi o martírio de Policarpo em Esmirna, por volta do ano 155 d.C. Durante seu julgamento, os judeus incrédulos de Esmirna se uniram aos pagãos para condená-lo à morte, chegando a apressar recursos para alimentar o fogo que o consumiria.
Após elogiar as vitórias espirituais da igreja de Esmirna, Jesus advertiu sobre as perseguições vindouras: “Você está prestes a sofrer. Digo-lhe que o diabo colocará alguns de vocês na prisão para testá-los, e vocês sofrerão perseguição por dez dias.” Alguns membros da igreja seriam presos e viveriam esses momentos de provação por dez dias. Contudo, Jesus encorajou-os: “Não tenha medo.” Os crentes de Esmirna teriam a coragem necessária para enfrentar esse tempo difícil.
Jesus os exorta a permanecer fiéis mesmo na adversidade: “Seja fiel até o ponto da morte, e eu lhe darei a coroa da vida.” Essa coroa se refere a um símbolo especial para aqueles que sofrem e até morrem por Cristo, semelhante à “coroa do mártir” mencionada em Tiago 1:12, que celebra aquele que persevera na provação.
Por fim, Jesus promete aos crentes de Esmirna: “Aquele que vencer não será prejudicado pela segunda morte.” O termo “vencedores” ou “conquistadores” abrange todos os crentes, e a “segunda morte” é entendida como o juízo final dos ímpios. Assim, os crentes jamais serão afetados por esse julgamento, pois, através da crucificação, o pecado foi vencido e, em Cristo, não há condenação.






