Quem eram os sacerdotes de On? José errou ao se casar com a filha de um sacerdote pagão (Gênesis 41)?

Quem eram os sacerdotes de On? Foi José que errou ao se casar com a filha de um sacerdote pagão (Gênesis 41)?

Questão

No Gênesis 41, lemos que José se casou com a filha do sacerdote de On. No versículo 45, consta que “Faraó … deu a José Asenate, filha de Potífera, sacerdote de On, para ser sua esposa.” O sacerdote de On conduzia o culto ao deus-sol egípcio. À primeira vista, o casamento de José com sua filha pareceria contrariar a diretiva do Antigo Testamento de não se casar com pagãos. Seria, então, José que adotava, de maneira pecaminosa, a cultura egípcia? Ou há algo mais nessa história?

Resposta

Primeiro, é evidente que José era um homem piedoso, cheio de fé. Ele nunca hesitou em dar glória a Deus mesmo na presença do Faraó, e o próprio Faraó reconheceu o poder de Deus operando na vida de José. Dado o seu compromisso firme e vitalício com o que é correto, é improvável que ele aceitasse uma união que o afastasse dos preceitos da fé. Assim, deve haver um propósito maior na história.

Segundo, a esposa de José foi-lhe dada pelo próprio Faraó. Após interpretar um sonho profético para o rei, José foi agraciado com um cargo de alta colocação no Egito e incumbido de preparar o país para uma futura fome. Entre as recompensas estavam um novo cargo, um novo nome egípcio e o casamento com uma mulher de uma família de destaque. Embora o fato de José, um estrangeiro recém-saído da prisão, casar com a filha do sacerdote de On possa ter causado surpresa entre os egípcios, esse casamento consolidou sua posição na sociedade e eliminou quaisquer dúvidas sobre a aprovação do Faraó.

Terceiro, Deus permitiu que José se casasse com Asenate. As Escrituras nada registram de negativo a respeito desse relacionamento, mesmo considerando que ela era filha do sacerdote de On. Através de Asenate, José e seu legado se fortaleceram, tendo dois filhos, Manassés e Efraim, que se tornariam os antepassados de duas tribos de Israel. É possível que Asenate tenha abraçado o Deus de Israel, e também que o arranjo matrimonial tenha sido uma forma do Faraó sancionar a fé de José, permitindo que ele instituísse seu lar na tradição de seus antepassados. De toda forma, José não se deixou envolver pela idolatria.

Quarto, esse casamento foi também utilizado por Deus para fortalecer a posição nacional de José. A cidade de On, também conhecida como Heliópolis ou “Cidade do Sol”, era o centro do culto ao deus-sol Rá e ficava nas proximidades do atual Cairo. Os sacerdotes de On eram considerados entre os egípcios mais cultos e eruditos, e o sumo sacerdote ostentava o título de “Maior dos Videntes”. Assim, ao se casar nessa família, José passou a integrar uma classe social compatível com a de um líder nacional, reforçando a confiança do Faraó em sua capacidade profética.

Por fim, embora a Aliança Mosaica mais tarde proibisse o casamento entre israelitas e cananeus para evitar a idolatria, José viveu antes dessa lei ser instituída, não se casou com um cananeu e manteve-se fiel à sua fé. Deus usou o casamento de José com a filha do sacerdote de On para cumprir Seus propósitos e cuidar da família de Jacó.

Em síntese, José não pecou ao tomar Asenate como esposa. Essa união pode até ter simbolizado a adoção, por parte dela, da fé de seu marido. De qualquer forma, Deus permitiu que José se casasse em uma família de renome e operou por meio desse relacionamento para abençoar muitos.

Deixe um comentário