Quem são os Hebreus Negros / Israelitas Negros?
Os termos “Hebreus Negros” e “Israelitas Negros” referem-se, de maneira categórica, a várias sub-seitas independentes cuja característica unificadora é que seus membros são de descendência africana negra e reivindicam ter ascendência hebraica/israelita. Além dessa característica em comum, essas sub-seitas são bastante distintas entre si.
Por exemplo, os membros da Original African Hebrew Israelite Nation of Jerusalem (ou, de forma resumida, African Israelites) acreditam que, após a expulsão dos judeus de Israel pelos romanos, muitos judeus migraram para a África Ocidental. Dali, seus descendentes foram transportados em navios negreiros para os Estados Unidos, onde o grupo teve seu início na década de 1960. Segundo essa perspectiva, os hebreus bíblicos do Antigo Testamento teriam tido descendentes multirraciais.
Por outro lado, os membros da Nation of Yahweh acreditam que todos os profetas do Antigo Testamento, Jesus Cristo e o próprio Deus são negros. Eles afirmam que todos os brancos, mas especialmente os judeus, são infiéis, denominando-os “diabos brancos”. Para essa crença, somente os negros seriam os “verdadeiros judeus”. Esse grupo é visto por muitos como um grupo supremacista negro e possui um histórico marcado por episódios de violência e terror.
Em 1966, o fundador e líder dos African Israelites, Ben Ammi (cujo nome significa literalmente “Filho do Meu Povo”, anteriormente conhecido como Ben Carter, de Chicago) afirmou ter sido visitado pelo anjo Gabriel. Segundo Ben Ammi, o anjo o instruiu a “conduzir os filhos de Israel para a Terra Prometida e estabelecer o tão aguardado Reino de Deus”. Assim, ele fundou a Original African Hebrew Israelite Nation of Jerusalem e levou aproximadamente 400 membros para a nação de Libéria, na África Ocidental, para um período de purificação de dois anos e meio. Aqueles que permaneceram durante todo esse período começaram a migrar para Israel em ondas, a partir de 1969.
As autoridades em Israel não reconheceram Ben Ammi e seus seguidores como judeus bíblicos e, por isso, não os consideraram elegíveis à cidadania sob a lei israelense do “Direito de Retorno”. Em vez disso, os African Israelites receberam vistos de turista temporários, o que ocasionou problemas legais quando ficou claro que eles não tinham intenção de sair do país. Contudo, as autoridades judaicas evitaram expulsá-los para não serem acusadas de discriminação racial. Após muita perseverança, o grupo obteve o status de residentes em 2004, permitindo que permanecessem em Israel, embora não como cidadãos plenos. Em 2008, cerca de 2.500 African Israelites viviam em Israel, seguindo leis dietéticas e comportamentais rigorosas, que incluem o veganismo e os preceitos da Lei Mosaica do Antigo Testamento.
Esses são apenas dois dos muitos subgrupos dos Hebreus/Israelitas Negros, sendo cada um distinto e independente dos demais. Outros grupos que se enquadram nessa categoria incluem a Church of the Living God, o Pillar Ground of Truth for All Nations, a Church of God and Saints of Christ e os Commandment Keepers. O que eles têm em comum é a origem étnica (descendência africana negra) e a reivindicação de terem descendido dos hebreus bíblicos do Antigo Testamento.
É possível que os hebreus do Antigo Testamento tenham deixado alguns ancestrais negros? Sim. Pela proximidade geográfica de Israel com a África, é plausível que existam grupos judaicos africanos, sobretudo após a expulsão romana e a diáspora dos judeus. De fato, toda a nação judaica passou quatro séculos na África antes de retornar à Terra Prometida (o atual Israel), e as interações entre os hebreus e as nações africanas estão documentadas ao longo do Antigo Testamento.
Atualmente, há um grupo de judeus negros que vive na África e pratica uma forma muito antiga de judaísmo. Diferente do grupo moderno Original African Hebrew Israelite Nation of Jerusalem, o grupo Beta Israel, da Etiópia, é aceito pela maioria dos judeus e pelo próprio Estado de Israel como historicamente judeu. Assim, a questão dos Hebreus/Israelitas Negros não se resume a se há grupos de negros com ancestralidade judaica parcial vivendo no mundo hoje, mas sim se esses grupos que reivindicam essa ascendência são, de fato, descendentes dos hebreus bíblicos.
Independentemente de algum dos grupos dos Hebreus/Israelitas Negros ter ou não ancestralidade judaica, essa não é a questão mais importante. Mesmo que se pudesse provar de forma conclusiva que uma facção dos Hebreus/Israelitas Negros possui descendência genética dos israelitas bíblicos, o que esses grupos acreditam é de maior relevância do que sua ancestralidade. Cada um desses grupos, em diferentes medidas, adota crenças que divergem dos ensinamentos bíblicos. Acima de tudo, o erro mais grave reside na incompreensão – ou, em alguns casos, na negação – de quem Jesus Cristo é, do que Ele ensinou e de como Sua morte e ressurreição abrem o caminho para a salvação.






