Se Jesus condenou os fariseus por orar em voz alta, devemos orar em voz alta?

Se Jesus condenou os fariseus por orar em voz alta, devemos orar em voz alta?

Existem diversas referências no Novo Testamento a orações públicas que são inaceitáveis, e é verdade que Jesus condenou a maneira dos fariseus de orar. Entretanto, o próprio Jesus orou em voz alta em determinadas ocasiões, assim como os apóstolos. Em Atos 1:14, lemos que “todos se reuniam continuamente em oração, juntamente com as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e seus irmãos”. Em seguida, no versículo 24, os apóstolos oraram juntos para escolher alguém que preenchesse o lugar de Judas entre os doze. Ficou claro que eles oravam juntos e em voz alta, o que demonstra que o pecado não residia na natureza pública da oração ou no fato de as pessoas poderem ouvi-la.

No relato de Lucas 18:10-14, Jesus conta a seguinte parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar, um fariseu e um cobrador de impostos. O fariseu, por si só, orou: ‘Ó Deus, agradeço por não ser como os outros – ladrões, malfeitores, adúlteros – ou mesmo como esse cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo que recebo.’ Mas o cobrador de impostos permaneceu à distância, nem sequer levantou os olhos para o céu; batia no peito e dizia: ‘Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador.’ Digo a vocês que este homem, e não o outro, foi justificado diante de Deus. Pois todos os que se exaltam serão humilhados, e os que se humilham serão exaltados.”

Observa-se que o cobrador de impostos também orou em voz alta; contudo, sua oração partiu de um coração humilde, e Deus a aceitou. O problema dos fariseus não estava em orar em público, mas sim em manifestar um espírito altivo.

Mais adiante, Jesus alerta: “Cuidado com os escribas, que gostam de desfilar em longas vestes, que se exaltam com cumprimentos nas praças, ocupam os melhores assentos nas sinagogas e lugares de honra nas festas, que dilapidam as casas das viúvas e, por pretexto, fazem longas orações. Eles receberão uma condenação maior.” Aqui, o pecado não é o fato de orar em voz alta, mas sim a prepotência da oração. Jesus condena a hipocrisia de fingir ter um relacionamento com Deus enquanto se oprime os amigos e vizinhos.

Em Mateus 6:5, Jesus instrui: “Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. Digo a verdade que já receberam sua recompensa.” Novamente, o problema não é a oração em voz alta, mas sim o ato de ostentar publicamente com o objetivo de chamar a atenção. Quando a oração é feita para impressionar os outros, ela deixa de ser uma expressão sincera e torna-se vazia. Conforme Provérbios 15:29, “O SENHOR está longe dos ímpios, mas ouve a oração dos justos.”

Em Efésios 5:20, Paulo exorta a igreja: “Dando sempre graças e por tudo a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.” A oração comunitária é uma forma pela qual a igreja local adora a Deus e se incentiva mutuamente. O que Jesus condena é a arrogância e a hipocrisia. Para alguém que demonstra desobediência a Deus liderar uma oração pública como se tivesse motivos para se exibir caracteriza justamente a hipocrisia que Ele denunciava. Utilizar a oração pública para se vangloriar ou impressionar os outros é equivocado, enquanto uma oração sincera, provinda de um coração humilde, é sempre bem recebida por Deus e encoraja aqueles que a ouvem.

Deixe um comentário