Um cristão pode “devolver” a salvação?

Pode um cristão “devolver” a salvação?

A resposta curta para esta pergunta é: não, um cristão verdadeiro não pode “devolver” a salvação. Curiosamente, alguns que afirmam que um cristão não pode “perder” a sua salvação ainda acreditam que a salvação pode ser “devolvida” a Deus. Quem defende essa visão argumenta, por exemplo, que embora nada fora de nós possa nos separar do amor de Deus, nós mesmos podemos escolher, por livre arbítrio, nos separar de Deus. Essa ideia não apenas contraria as Escrituras, como também vai contra toda lógica.

Para compreender por que não é possível “devolver” a salvação, é necessário entender três aspectos: a natureza de Deus, a natureza do homem e a própria natureza da salvação. Deus é, por essência, um Salvador. Em várias passagens dos Salmos, Ele é referido como o Salvador do homem. Somente Deus é o nosso Salvador; ninguém mais pode nos salvar e nós próprios não temos a capacidade de nos salvar. Em Isaías 43:11, lemos que “Eu, eu mesmo, sou o SENHOR, e, fora de mim, não há salvador”. Em nenhuma parte das Escrituras Deus é retratado como um Salvador que depende daqueles que Ele salva para que a salvação se efetive. João 1:13 esclarece que os que pertencem a Deus não são regenerados por sua própria vontade, mas sim pela vontade de Deus. Ele salva por meio de Sua vontade e de Seu poder, que jamais é frustrado, pois o Seu poder é ilimitado (Daniel 4:35).

O plano de salvação de Deus foi realizado por meio de Jesus Cristo, Deus encarnado, que veio a este mundo para “buscar e salvar o que estava perdido” (Lucas 19:10). Jesus deixou bem claro que não fomos nós que O escolhemos, mas que Ele nos escolheu e nos designou para “ir e dar fruto” (João 15:16). A salvação é um presente de Deus, recebido pela fé em Cristo, dado àqueles que, antes mesmo da fundação do mundo, foram predestinados a recebê-lo e selados com o Espírito Santo (Efésios 1:11-14). Essa verdade afasta a ideia de que o homem, por sua própria vontade, possa frustrar o plano de Deus para a sua salvação. Deus não predestinaria alguém para receber o dom da salvação apenas para ver o Seu plano ser anulado por um indivíduo que, ao aceitar esse presente, desejasse devolvê-lo. A soberana onisciência e presciência de Deus tornam tal cenário impossível.

O homem, por natureza, é um ser decaído que não busca a Deus por si mesmo. Até que seu coração seja transformado pelo Espírito de Deus, ele não o buscará nem é capaz de fazê-lo. A Palavra de Deus é incompreensível para ele. O homem não regenerado é ímpio, inútil e enganoso; sua vida é marcada por amargura, maldições e uma inclinação para a violência, faltando-lhe o temor de Deus (Romanos 3:10-18). Uma pessoa desse tipo é incapaz de se salvar ou mesmo de reconhecer a necessidade de salvação. É somente após ser transformado e se tornar uma nova criação em Cristo que o coração e a mente são voltados para Deus. Então, passa a enxergar a verdade e compreender as coisas espirituais (1 Coríntios 2:14; 2 Coríntios 5:17).

Um cristão é aquele que foi resgatado do pecado e colocado no caminho que conduz ao céu. Ele se torna uma nova criação, com o coração voltado para Deus, enquanto sua antiga natureza foi deixada para trás. Essa nova natureza jamais desejaria devolver a salvação e retornar ao seu estado anterior, destinado à condenação eterna por seus pecados, assim como um receptor de transplante de coração jamais desejaria devolver seu novo órgão para que o antigo, doente, fosse reinserido em seu corpo. A ideia de um cristão devolver a salvação é totalmente contrária às Escrituras e inconcebível.

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