Uma pessoa casada deve ter um amigo próximo do sexo oposto?

Pergunta

Gênesis 2:23-24 descreve a criação do matrimônio, revelando a intimidade que marido e esposa compartilham: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Embora o relacionamento matrimonial deva ser valorizado como o mais importante, marido e esposa continuarão tendo outras relações. Surge, então, a questão: homens e mulheres casados devem ter relações apenas com pessoas do mesmo sexo? É pecaminoso para uma pessoa casada ter uma amizade íntima com alguém do sexo oposto?

Resposta

Deus projetou o matrimônio como uma união única entre um homem e uma mulher, firmada em um pacto para a vida. Parte desse design envolve a expressão sexual, que deve ocorrer somente entre marido e esposa; qualquer expressão sexual fora desse pacto é pecaminosa. Ao mesmo tempo, Deus chama os crentes a cultivarem relacionamentos significativos no Corpo de Cristo. Seja casado ou solteiro, homem ou mulher, somos chamados a ter relações—com pessoas do mesmo e com pessoas do sexo oposto—that refletem Cristo ao manifestarmos amor uns pelos outros.

Os cristãos formam uma família, e Deus nos convoca a ter relacionamentos profundos. Nosso amor mútuo é orientado pelo mandamento de amar a Deus e de amar uns aos outros como irmãos e irmãs em Cristo. A Bíblia ressalta o valor da amizade e nos oferece inúmeros comandos de “uns aos outros”, que ensinam como nos relacionar. Somos chamados a amar, servir, incentivar e estimular uns aos outros para o amor e para as boas ações—instruções válidas para todos os crentes, independentemente do sexo.

Entretanto, ter uma amizade íntima com alguém do sexo oposto já levou muitos a pecar. A Escritura adverte para “fugirmos da imoralidade sexual” e deixa claro que “nem sequer deve haver entre vocês palavra impura, nem qualquer tipo de impureza ou de ganância”. Tais advertências são vigorosas, e as inúmeras falhas cometidas ao longo dos séculos revelam o perigo que as tentações em relações entre pessoas de sexos diferentes podem representar.

Então, qual é a resposta? Uma pessoa casada deve se privar de ter amigos íntimos do sexo oposto? Evidentemente, não é a vontade de Deus nos aislar de relacionamentos significativos com metade da população mundial assim que contraiamos matrimônio. Contudo, existem limites claros que não devem ser ultrapassados, sendo prudente nem mesmo se aproximar dessas fronteiras.

Alguns optam por seguir a prática conhecida como “regra Billy Graham”, que recomenda nunca ficar a sós com alguém do sexo oposto, à exceção do cônjuge ou de um familiar imediato. Essa é uma medida eficaz para reduzir riscos de tentações ou acusações, pelo que muitos pastores e conselheiros evitam encontros a sós com pessoas do sexo oposto, sempre preferindo a presença de uma terceira pessoa ou realizando reuniões em ambientes com janelas visíveis. Estabelecer tais limites pessoais pode ser sensato e, para alguns, a melhor decisão.

É importante, porém, ter cuidado para que essas regras pessoais não se transformem em legalismo. Os mandamentos bíblicos são diretos: “Não cometa adultério” e “Fuja da tentação”. Há, contudo, uma diferença entre os mandamentos explicitos e a aplicação pessoal deles. “Nunca, sob nenhuma circunstância, fique a sós com uma pessoa do sexo oposto” ou “Nunca seja vulnerável ou desenvolva intimidade emocional com alguém do sexo oposto” não são comandos bíblicos. Desenvolver convicções pessoais fundamentadas na Bíblia pode ser benéfico, mas elas podem não ser as mesmas para todos. Nossas convicções individuais não devem ser impostas como mandamentos universais.

No caso dos líderes cristãos, o cuidado precisa ser ainda maior. Líderes devem manter-se “acima de qualquer reprovação” e construir uma reputação irrepreensível diante dos demais. Mesmo acusações infundadas podem ter um impacto devastador sobre um ministério, razão pela qual ministros devem evitar, a todo custo, fornecer qualquer oportunidade para calúnias. Considerando isso, os presbíteros são instruídos a cuidar do rebanho de forma equilibrada, pois um rebanho só pode florescer quando todos têm acesso ao cuidado do pastor.

Com isso em mente, vale a pena refletir sobre alguns princípios:

  • Reconhecer que pessoas do sexo oposto não são objetos de satisfação de desejos carnais: homens e mulheres devem se relacionar de maneira profunda e apropriada, enxergando uns aos outros como portadores da imagem de Deus e como irmãos e irmãs na fé.
  • Dar prioridade ao cônjuge: para casados, o cônjuge deve ser a prioridade em todas as relações. Não se deve buscar obter de uma amizade com alguém do sexo oposto algo que não se recebe do cônjuge. A transparência é essencial; mantendo o diálogo aberto sobre todas as relações, especialmente quando surgirem preocupações por parte do parceiro.
  • Cuidar para não dar a “aparência de mal”: embora seja importante tomar precauções, não se deve viver constantemente preocupado com a possibilidade de mal-entendidos. Cada pessoa deve buscar agradar a Deus, e não a opinião alheia.
  • Valorizar as diferenças entre homens e mulheres: limitar-se a relacionar-se apenas com o mesmo sexo pode criar uma bolha de opiniões semelhantes. Ter amizades com pessoas do sexo oposto pode oferecer novas perspectivas, incentivar mudanças positivas e ajudar na identificação de áreas que necessitam de aprimoramento.

A Bíblia nos chama para cultivarmos relacionamentos significativos dentro do Corpo de Cristo. Em um futuro onde passaremos a eternidade louvando e servindo a Deus juntos, homens e mulheres, casados ou solteiros, compartilham a mesma identidade em Cristo. Sim, é prudente estabelecer salvaguardas para proteger nossa reputação e, sem dúvida, devemos fugir da tentação; contudo, relações impactantes e edificantes entre pessoas dos dois sexos podem ser extremamente benéficas ao honrar e glorificar a Deus.

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