O que é um manto de oração?

O que é um xale de oração?

Pergunta

Resposta

O xale de oração judaico é uma vestimenta com franjas usada por homens judeus sobre as roupas comuns na sinagoga, especialmente durante as orações da manhã, aos sábados e em outros cultos festivos. Em hebraico, esse xale é chamado de tallit, que significa “manto”, “capa” ou “lençol”. Geralmente feito de lã ou seda, o xale costuma ter comprimento suficiente para cobrir boa parte do corpo, com franjas trançadas e atadas em cada um dos seus quatro cantos. Nos dias atuais, não é incomum ver homens judeus usando um xale de oração de seda, que muitas vezes se restringe a um lenço em volta do pescoço. Já os judeus ultraortodoxos chegam a usá-lo sobre a cabeça ao recitarem orações mais importantes.

Embora a palavra hebraica tallit não apareça nas Escrituras, o mandamento bíblico para que os israelitas usem uma vestimenta “franjada” ou “com borlas” está presente na Torá, onde Deus diz a Moisés: “Fala com os israelitas e dize-lhes: ‘Por todas as gerações que hão de vir fareis franjas nas extremidades das vossas vestes, com uma corda azul em cada franja. Estas franjas serão para que as olheis e vos lembreis de todos os mandamentos do SENHOR, para os cumprirdes, e não vos entregueis aos desejos desenfreados dos vossos corações e dos vossos olhos. Assim vos lembrareis de cumprir todos os meus preceitos e sereis santos para o vosso Deus’” (Números 15:38–40). Da mesma forma, está escrito: “Farás franjas nas quatro extremidades da capa que vestires” (Deuteronômio 22:12). Assim, a intenção original desse mandamento era recordar os israelitas dos preceitos de Deus. Segundo a interpretação judaica, o valor numérico da palavra hebraica tzitzit (franjas) é 600, e cada franja, composta por 8 fios e 5 nós, totaliza 613, correspondendo, conforme o judaísmo rabínico, aos 613 mandamentos contidos na Torá.

Atualmente, os xales de oração judaicos ganham forte destaque e são amplamente divulgados nos movimentos messiânico e de Hebrew Roots, além de começarem a aparecer em algumas comunidades cristãs tradicionais. Alguns cristãos defendem que, se o xale com franjas era uma vestimenta usada por Jesus, ele também deve – ou teria de – ser usado pelos crentes de hoje, tanto judeus quanto gentios, caso queiram observar a Torá segundo as leis divinas. Contudo, é importante destacar que os crentes no Messias judeu devem evitar se enredar em práticas que possam limitar sua liberdade. Recuperar as raízes judaicas da fé cristã é uma coisa; seguir tradições que nos acorrentam a um jugo legal é, certamente, outra.

O povo do Novo Pacto estabelecido por Deus não é chamado nem obrigado a usar o xale de oração ou qualquer outro tipo de vestimenta franjada. Infelizmente, muitos crentes messiânicos e gentios acabam confundindo os preceitos da Torá com os do pacto, o que os impede de “dividir acertadamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15). A Lei de Moisés foi dada à nação de Israel e funcionava como um “tutor” para a recepção e compreensão da instrução superior do Messias (Gálatas 3:19–25). Tanto os seguidores de Jesus, judeus e não judeus, são exortados a deixar de lado uma mentalidade infantil e buscar entender as questões espirituais com maturidade (1 Coríntios 13:11; 1 Coríntios 14:20; Hebreus 5:12–14). A falta de distinção adequada entre a Lei e o evangelho da graça sempre conduce à confusão doutrinária dentro da comunidade do pacto de Deus.

Mesmo os mais zelosos entre o povo judeu não conseguiam suportar o peso do jugo da Lei de Moisés (Atos 15). Nós, que seguimos Jesus, o Messias judeu, somos agora guiados pelo Espírito de Deus como Seus filhos e, por isso, não estamos mais sujeitos a regulamentos religiosos que nos ordenavam “não tocar, não provar, não manejar”. Agora, nosso chamado é buscar as coisas lá do alto, onde o Messias reina (Colossenses 2:20–3:1). Os seguidores de Jesus desfrutam de “um pacto melhor, baseado em promessas superiores” (Hebreus 8:6), pois a Lei era apenas a sombra de algo maior prometido pelos profetas – esse “algo maior” é Jesus Cristo (2 Coríntios 3:18; 2 Coríntios 4:6).

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