Como os cristãos devem reagir ao filme “A Bússola Dourada”?
Como devem os cristãos reagir ao filme “A Bússola Dourada”, baseado no livro de Philip Pullman? Questões surgem acerca do conteúdo do filme, considerando a inclinação antirreligiosa dos livros e de seu autor. A série de livros His Dark Materials, na qual o filme se baseia, é agressivamente anti-cristã. Existem amplas razões para que os cristãos evitem apoiar essa série, seja através da compra de ingressos para o cinema ou na aquisição dos livros. Protestos ou boicotes abertos seriam contraproducentes, pois apenas dariam publicidade gratuita ao estúdio. Ao mesmo tempo, A Bússola Dourada precisa ser levada a sério pelas famílias cristãs, já que o material de origem é explicitamente anti-cristão e direcionado ao público infantil. Pais e filhos cristãos devem estar preparados para responder às falsas afirmações contidas nesta obra.
A Bússola Dourada é o primeiro livro de uma trilogia chamada His Dark Materials. O autor, Philip Pullman, é um ateu declarado e muito crítico em relação ao catolicismo. Na trilogia, a igreja é retratada como maligna, controladora, ignorante, intolerante às divergências e sádica. Pullman não disfarça a igreja, atacando-a de forma praticamente direta. Termos como “pecado original”, “batizado como cristão”, “Concílio Vaticano” e “magistério” aparecem nos livros. Se comparado aos seus sequels, A Bússola Dourada se mostra mais sutil em seus ataques ao cristianismo, enquanto os segundo e terceiro volumes se tornam cada vez mais “pregadores” e abertamente hostis à fé cristã. Espera-se que o filme siga esse mesmo padrão: a retórica antirreligiosa presente em A Bússola Dourada deve ser sutil ou até atenuada, já que filmes subsequentes teriam dificuldade em manter a mesma abordagem sem alterar completamente a história.
Pullman não deixa dúvidas sobre suas convicções e intenções. Ele já foi apelidado de “O Flautista de Hamelin do Ateísmo” por sua notável habilidade em contar histórias para crianças e por seu desdém pela religião. Será que os livros são deliberadamente ateístas? Pullman afirmou: “Meus livros são sobre matar Deus.” Quanto a serem anti-cristãos, ele declarou: “Estou tentando minar a base da crença cristã” e “Se existe um Deus, e Ele é como os cristãos O descrevem, então Ele merece ser desprezado e rebelado contra.” Em algum ponto da trilogia, um personagem ressalta que “a religião cristã é um erro poderoso e convincente, e só isso.” Seria desonesto alegar que esta trilogia, da qual A Bússola Dourada integra, não é deliberadamente anti-cristã.
As mensagens transmitidas na série não são compatíveis com uma visão cristã. A protagonista, Lyra, é uma mentirosa habitual, e suas falsidades são motivadas por interesses puramente egoístas, sem jamais haver um aprendizado de que tais atitudes são prejudiciais. Parte de sua jornada inclui uma experiência sexual na adolescência, retratada pelo autor como parte do seu crescimento sob um controle religioso. Ela é apresentada como uma “segunda Eva”, cuja rebelião contra Deus é exaltada como uma busca pelo conhecimento.
A Bússola Dourada, juntamente com quaisquer outras obras conectadas à trilogia His Dark Materials, é inegavelmente anti-cristã tanto em conteúdo quanto em intenção. A divulgação do filme tem sido bastante enganosa em relação à mensagem religiosa que exibe. A trilogia, seja nos livros ou, presumivelmente, nos filmes, introduz gradualmente temas ateístas, seduzindo as crianças com a narrativa para inserir essa ideologia. Anúncios chegam a comparar A Bússola Dourada com obras como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. Contudo, a obra de Pullman é, em termos morais, o exato oposto do trabalho de Tolkien e Lewis. Inclusive, já foi elaborado um currículo escolar que inclui os três livros como parte dos programas de leitura nas escolas públicas.
Obras como essa devem ser contestadas, mas de modo que reflita uma postura cristã genuína. No fundo, as histórias de His Dark Materials configuram um cenário de fantasia que respalda uma visão de mundo ateísta, na qual a morte representa o fim de tudo, as morais são relativas e qualquer ideia de Deus é vista como uma ferramenta para o mal. Os cristãos não devem responder de maneira que reforce os estereótipos que Pullman associa aos crentes — como pessoas ignorantes, opressoras e intolerantes. Uma resposta educada, combinada com respostas sinceras, pode transformar o lançamento de A Bússola Dourada em uma oportunidade valiosa para testemunhar em favor de Cristo.





