Deus espera que todos nós tenhamos filhos?

Deus espera que todos nós tenhamos filhos?

Não se trata de saber se Deus “espera” que tenhamos filhos, pois Ele é soberano e onisciente e já sabe quem terá e quem não terá filhos. A real questão é se ter filhos é um requisito para os cristãos e se é possível viver uma vida cumpridora e obediente a Cristo sem eles.

A Bíblia nos ensina que os filhos são uma bênção de Deus. O Salmo 127:3–5 diz: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que Ele dá. Como flechas nas mãos de um guerreiro, assim são os filhos de uma juventude. Bem-aventurado aquele que tem a sua aljava cheia destes!”. Isso não quer dizer que aqueles que não têm filhos não sejam abençoados ou que os filhos sejam a única dádiva divina; apenas nos lembra que eles devem ser vistos como bênção e não como uma maldição ou incômodo.

Quando Deus criou Adão e Eva, Ele os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a”. Após o dilúvio, Deus falou a Noé: “Sede fecundos e multiplicai-vos, e enchei a terra”. A procriação é parte do mandamento de Deus para a humanidade, e, sem dúvida, Ele esperava que a maioria das pessoas tivesse filhos. Observamos também que os filhos fazem parte da aliança de Deus com Abraão, a quem foi prometido que dele se estabeleceria uma grande nação e que por intermédio dele todas as nações da terra seriam abençoadas – promessa cumprida por meio de Jesus Cristo, o Salvador.

No Antigo Testamento, os filhos eram vistos como um sinal físico da bênção divina. Mesmo assim, embora muitos daquela época pudessem pensar de forma diferente, a infertilidade não era um sinal do desagrado de Deus. Casais como Elcana e Ana (pais do profeta Samuel), Abraão e Sara (pais de Isaque) e Zacarias e Isabel (pais de João Batista) enfrentaram anos de infertilidade, mas continuaram sendo pessoas de fé.

No Novo Testamento, os filhos continuam sendo reconhecidos como uma bênção. Jesus acolheu as crianças e ensinou que elas refletem muitos dos valores do Reino de Deus. O apóstolo Paulo orientou pais e filhos sobre como viver bem juntos e observou que, se um líder da igreja for casado e tiver filhos, ele deve conduzir bem a própria família. A família é, sem dúvida, altamente valorizada por Deus. Contudo, o foco do Novo Testamento está mais na frutificação e na multiplicação espiritual do que nas bênçãos físicas, enfatizando que os crentes se tornam filhos de Deus – uma família que desejamos ampliar fazendo discípulos, e não apenas multiplicando descendentes biológicos.

Filhos são, e sempre serão, uma bênção de Deus – independentemente de como uma criança venha a fazer parte da vida de alguém. Embora a procriação faça parte do mandamento para a humanidade, em nenhum lugar a Bíblia determina que todo casal casado deva ter ou desejar ter filhos. A infertilidade, em qualquer idade, não é indicativo do desagrado de Deus. Casais sem filhos não são, de forma alguma, menos valiosos ou importantes para o Reino de Deus do que aqueles que têm filhos. Pode-se até argumentar que casais sem filhos podem dedicar mais energia e foco ao trabalho do Reino, assim como os solteiros. Seja casado, solteiro, com ou sem filhos, cada filho de Deus é uma parte importante da Sua família e do corpo de Cristo. A vontade de Deus para cada indivíduo e casal é única: para alguns, incluir ter filhos – seja de forma natural ou por adoção –, e para outros, não envolver a paternidade ou maternidade.

Para aqueles que desejam ter filhos, mas enfrentam dificuldades, entregar esse desejo a Deus em oração é o melhor caminho. Ele pode ajudar a enfrentar a dor dessa jornada e a viver o que é melhor nesta fase. Para quem não sente o desejo de ter filhos, também é prudente levar esse sentimento a Deus em oração. Às vezes, essa falta de desejo é concedida por Ele; em outras ocasiões, pode ser fruto de feridas passadas, medo ou egoísmo. Ao expor nossos corações honestamente diante de Deus, Ele nos ajuda a organizar essa situação, traz cura e concede os desejos alinhados com o Seu coração.

É fácil permitir que nossos desejos pessoais se tornem ídolos. Mesmo os desejos bons, quando substituem o lugar de Deus em nossas vidas, podem se transformar em ídolos. Independentemente da nossa situação ou fase da vida, é importante examinar o coração, ser honesto com Deus em oração, buscar sabedoria em Sua Palavra e dedicar nossa vida a Ele. Em última análise, é Deus quem satisfaz nossos corações, e nossas vidas devem ser vividas para a Sua glória.

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