Existem erros no Alcorão (Koran)?
Pergunta
Resposta
Embora os muçulmanos frequentemente argumentem a favor da origem divina do Alcorão com base no fato de que “nenhum erro, alteração ou variação” tocou suas cópias desde sua criação, essa visão não representa com precisão os fatos. É verdade que o Alcorão de hoje é uma cópia quase perfeita de sua versão do sétimo século, mas a ideia de que essas cópias refletem exatamente as palavras transmitidas por Maomé torna-se cada vez mais problemática.
Fontes históricas demonstram que circulavam vários textos diferentes na Síria, no Iraque e na Armênia antes da revisão final produzida por Uthman. Zaid, secretário de longa data de Maomé, foi chamado por Uthman para supervisionar a versão autorizada, final e definitiva do Alcorão, e todas as outras cópias foram posteriormente queimadas para que não houvesse contestação ao texto autorizado. Resta, portanto, questionar por que Uthman precisaria produzir uma versão autorizada se o Alcorão tivesse sido perfeitamente preservado desde o início.
Para citar Alfred Guillaume, um dos estudiosos não muçulmanos mais conhecidos sobre o Islã:
“Apenas os homens de Kufa recusaram a nova edição, e sua versão certamente existia já em 1000 d.C. A edição de Uthman até hoje permanece como a palavra autorizada de Deus para os muçulmanos. No entanto, mesmo agora, leituras variantes – envolvendo não apenas diferentes leituras das vogais, mas também, ocasionalmente, um texto consonantal distinto – são reconhecidas como possuindo igual autoridade entre si!”
Ao comparar as diferentes versões transmitidas do Alcorão, torna-se evidente que, de fato, existem variantes entre elas. Embora essas variantes geralmente envolvam diferenças em letras individuais, vogais ou sinais diacríticos, a alegação muçulmana de unidade perfeita nas cópias do Alcorão não é correta.
Além disso, considerando que parte da reivindicação islâmica é de que Deus tem concedido revelações à humanidade ao longo da história – incluindo os Salmos de Davi e os quatro Evangelhos – surge a questão: por que se alega que Allah preservou milagrosamente o Alcorão em cópias infalíveis, se, aparentemente, Ele foi incapaz de realizar o mesmo feito com as revelações anteriores?
Examinemos a validade dessa afirmação. Quão excelente é a qualidade literária do texto? Ali Dashti, ele próprio um muçulmano xiita convicto, escreveu: “O Alcorão contém sentenças que estão incompletas e não são plenamente inteligíveis sem o auxílio de comentários; palavras estrangeiras, termos árabes desconhecidos e palavras empregadas com um sentido diferente do normal; adjetivos e verbos flexionados sem observância da concordância de gênero e número; pronomes aplicados de forma ilógica e sem graça gramatical que, em passagens rimadas, muitas vezes se distanciam de seus sujeitos. Essas e outras aberrações na linguagem deram margem a críticos que negam a eloquência do Alcorão… Em suma, mais de 100 aberrações corânicas que fogem às regras e à estrutura normal do árabe foram observadas” (G. Allen & Unwin, 1985, p. 47). Com todas essas “aberrações” linguísticas e instâncias de gramática incorreta, o Alcorão dificilmente pode reivindicar ser impecável.
Existem erros no Alcorão? – E quanto à profecia cumprida?
Apologistas islâmicos afirmam que o Alcorão prediz que os muçulmanos seriam vitoriosos, tanto em casa quanto no exterior (Surata 30:1-5). Porém, essa afirmação dificilmente pode ser utilizada como argumento para uma origem divina. A previsão de uma vitória militar dos muçulmanos (especialmente considerando a força militar esmagadora de Maomé) não é muito impressionante.
Além disso, o intervalo entre essas previsões e seu subsequente cumprimento é quase inexistente, e há quem defenda que a previsão de vitória islâmica é melhor entendida como um discurso de ânimo pré-batalha de Maomé para elevar o moral de suas tropas.
As profecias islâmicas ficam muito aquém do nível das profecias bíblicas, muitas das quais foram escritas centenas de anos antes, como a previsão de que Jesus nasceria em Belém (Miquéias 5:2).
Existem erros no Alcorão? – E quanto aos insights científicos?
No livro Uma Breve Guia Ilustrado para Entender o Islã, o apologista islâmico I. A. Ibrahim argumenta:
“O Alcorão, que foi revelado há catorze séculos, menciona fatos recentemente descobertos ou comprovados por cientistas. Isso prova, sem dúvida, que o Alcorão deve ser a palavra literal de Deus, revelada a Ele por meio do Profeta Maomé, e que o Alcorão não foi escrito por Maomé ou por qualquer outro ser humano.”
Mas quão válida é essa afirmação? Primeiramente, a conformidade com a ciência não é prova de inspiração divina. Como os cientistas modernos admitem, os modelos científicos estão em constante mudança e, por isso, não são um parâmetro absoluto para o que é verdadeiro ou falso. Em segundo lugar, há declarações científicas altamente questionáveis no Alcorão que são ignoradas pelos apologistas islâmicos contemporâneos. Por exemplo, na Surata 23:14, afirma-se que os seres humanos se formam a partir de um coágulo de sangue, e na Surata 18:86, diz-se que o sol se põe em uma nascente de água turva. Claramente, mesmo que as afirmações sobre os insights científicos fossem válidas, essas declarações refutariam imediatamente qualquer noção de inspiração divina.
Existem erros no Alcorão? – E quanto às imprecisões históricas?
Embora a lista de imprecisões históricas e anacronismos seja vasta, selecionamos um exemplo para discussão. A Surata 20 relata o incidente do bezerro de ouro. Em passagens como a Surata 20:85-88, 95, lemos:
“Ele [Allah] disse: ‘Temos tentado o teu povo desde que os deixaste. O samaritano os conduziu ao erro.’ Então Moisés retornou… e lançamos [enfeites de ouro], assim como o samaritano os jogara, no fogo.” (Depois ele lhes apresentou um bezerro, apenas um corpo que mudava de som; e eles disseram: “Este é o vosso deus e o deus de Moisés, que ele esqueceu.”) … Moisés disse: “E tu, samaritan, qual foi a tua função?”
Agora, consideremos isto por um momento. Como um samaritanano poderia ter conduzido os israelitas ao erro na época de Moisés (aproximadamente 1400 a.C.), se a cidade de Samaria foi fundada pelo rei Omri por volta de 870 a.C.? Os samaritanos não existiam até depois do exílio do Reino do Norte de Israel e da reocupação da área sob o rei Sargão II, em 722 a.C., com não-israelitas que, posteriormente, adotaram uma religião sincrética – uma mistura entre a fé dos judeus e seu próprio histórico politeísta. Os samaritanos só passaram a existir cerca de 530 anos após Moisés. Somente com esse erro o Alcorão pode ser considerado pouco confiável e certamente não uma obra inerrante de Deus.
Existem erros no Alcorão? – Conclusão
Após destacar alguns dos inúmeros problemas e dificuldades relacionados ao Alcorão enquanto obra supostamente inspirada divinamente, é forçoso rejeitar a reivindicação islâmica de que o Alcorão representa uma palavra de Deus livre de erros para a humanidade. Quando se aplica um padrão semelhante à Bíblia, o resultado se torna autojustificante, pois a Bíblia emerge como uma obra sem falhas.






