Monergismo vs. Sinergismo – Qual visão está correta?
Questão
Resposta
O monergismo e o sinergismo têm sido debatidos na igreja por séculos. Não é exagero dizer que esse debate atinge o cerne do evangelho. Primeiramente, vamos definir os dois termos. As discussões teológicas sobre monergismo versus sinergismo versam, basicamente, sobre quem efetua nossa salvação. O monergismo é a perspectiva de que somente Deus opera nossa salvação, visão geralmente associada às tradições calvinistas e reformadas. Já o sinergismo defende que Deus atua juntamente conosco, de alguma maneira, para efetivar a salvação.
O termo monergismo vem de uma palavra grega composta que significa “trabalhar sozinho”; sinergismo deriva de outra palavra grega composta que significa “trabalhar em conjunto”. Como mencionado, o monergismo é frequentemente relacionado ao calvinismo. Calvinistas costumam acusar os arminianos de adotarem o sinergismo; porém, muitos – senão a maioria – dos arminianos negariam essa acusação e se posicionariam no campo do monergismo.
O monergismo afirma que Deus realiza toda a obra da salvação, e os eleitos são os beneficiários dessa obra. Até mesmo a fé necessária para receber a salvação de Deus é um dom divino (Efésios 2:8–9). Por outro lado, o sinergismo diz que Deus executa parte da obra salvífica, mas cabe ao ser humano empreender algo para colher seus benefícios: reunir fé, ser batizado, perseverar em boas obras etc. Definido dessa forma, o sinergismo se mostra claramente não bíblico, pois nenhuma obra ou mérito humano pode ser adicionado à graça de Deus sem que se a destrua (Romanos 11:6).
Calvinistas costumam associar o termo monergismo ao calvinismo, afirmando que, se você crê no monergismo, deve ser calvinista. Embora seja verdade que o calvinismo é monergístico, há também muitos arminianos que consideram seu sistema teológico monergístico, entendendo que a fé precisa estar presente para receber a graça de Deus, mas que a própria fé não é meritória. A fé recebe a graça, mas não é ela a causa da graça. Na verdade, o arminianismo clássico ensina que a fé necessária para receber a graça divina é uma resposta à graça preveniente de Deus. Assim, Deus continua realizando a obra salvífica, embora um ato de vontade humana – capacitado por Deus – seja visto como um requisito necessário para recebê-la.
A essência do argumento monergístico é que Deus está no negócio de efetivamente salvar pessoas e não apenas torná-las “salváveis”. O monergismo parte de um inimigo de Deus, aparentemente irremediável, e, pela graça divina, transforma essa pessoa espiritualmente morta, conduzindo-a à fé salvadora e à união com Cristo. Já o sinergismo, em todas as suas formas (incluindo o pelagianismo), parte de uma pessoa que possui pelo menos uma fagulha de vida espiritual, ou seja, tem a capacidade natural de dar um passo em direção a Deus sem a graça, encontrando-O no meio do caminho. Embora Deus possa realizar a maior parte da obra de salvação, Ele de alguma forma depende também do esforço do indivíduo a ser salvo.
O monergismo defende que Deus faz tudo o que é necessário para nossa salvação e que Ele é suficiente para salvar; o sinergismo, por sua vez, afirma que Deus é necessário, mas insuficiente. No sistema sinergístico, a responsabilidade pela salvação acaba sendo atribuída a nós. Já o monergismo coloca toda a responsabilidade de nossa salvação nas mãos de Deus, que nos “predestinou … chamou … justificou … glorificou” em Cristo (Romanos 8:30). É Ele quem iniciou e completará a obra da salvação em nós (Filipenses 1:6), e é Ele quem mantém as ovelhas seguras em Sua mão (João 10:27–30).
Em resumo, o peso das evidências bíblicas apoia claramente a visão monergística da salvação — Jesus é o autor e consumador da nossa salvação (Hebreus 12:2). Não há espaço para nos orgulharmos, e toda a glória pertence a Deus, o nosso Salvador!






