Nostradamus foi um farmacêutico francês, nascido em 1503 e falecido em 2 de julho de 1566. Ele é creditado por alguns com escritos proféticos que supostamente previram eventos modernos, desde a ascensão de Hitler na Alemanha até os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. Mas será que Nostradamus realmente previu algum desses eventos? Para responder a essa pergunta, é necessário examinar primeiro o que significa falar ou escrever profecia.
A profecia pode ser dividida em duas categorias. Primeiramente, trata-se de proclamar a Palavra de Deus na vida das pessoas, de modo que elas sejam edificadas, exortadas e consoladas. Em outras palavras, é compartilhar versículos aplicáveis das Escrituras com alguém, para aproximá-lo de Jesus (edificar), incentivar comportamentos corretos (exortar) ou oferecer segurança quanto à fidelidade, controle e auxílio do Senhor em qualquer situação (confortar).
Em segundo lugar, a profecia é anunciar eventos futuros antes que aconteçam, com especificidade e 100% de exatidão. Se o evento profetizado não ocorrer, então a profecia não era verdadeira. Além disso, mesmo que o que um profeta preveja venha a se realizar, se ele não conduzir as pessoas a adorar o único Deus verdadeiro, estará agindo como um profeta falso.
Nostradamus certamente não se enquadra na primeira definição de profeta. Contudo, há quem afirme que ele foi um profeta que previu acontecimentos futuros. Mas ele realmente o fez? Para que uma profecia seja considerada válida, é necessário que ela seja específica e detalhada a ponto de ser indiscutivelmente verdadeira. Por exemplo, nas Escrituras, há uma profecia messiânica sobre Jesus, o Messias, na qual se menciona que “perfuraram minhas mãos e meus pés”. Essa profecia foi escrita numa época em que a crucificação não era um método de execução em Israel – mas foi exatamente assim que Jesus morreu. Existem detalhes claros e específicos que se correlacionam com o seu cumprimento, e há centenas dessas profecias detalhadas sobre o advento de Jesus, todas se cumprindo exatamente como predito.
No caso de Nostradamus, entretanto, suas profecias não apresentam esse nível de detalhe. Por exemplo, há uma profecia atribuída a ele que muitos acreditam ter previsto os ataques de 11 de setembro:
“No ano do novo século e nove meses, do céu virá um grande Rei do Terror. O céu queimará a quarenta e cinco graus. O fogo se aproxima da grande cidade nova.”
Os problemas com essa “profecia” são muitos. Em primeiro lugar, várias passagens dos escritos de Nostradamus precisaram ser compiladas para formar esse trecho de quatro declarações. Em segundo, não há clareza sobre quem seria o Rei do Terror vindo do céu e como isso se relaciona com os aviões que colidiram contra os edifícios. Em terceiro, a referência ao céu queimando a quarenta e cinco graus não guarda uma relação direta com a queima dos prédios. Por fim, de forma nenhuma Nova York, em 2001, poderia ser descrita como uma “cidade nova”, sendo, na verdade, uma das cidades mais antigas do país.
A vaguidade extrema dessa previsão, somada à tendência de adaptar enunciados vagos aos acontecimentos modernos, caracteriza o que se chama de “clarividência retroativa”. Ou seja, algo escrito anteriormente é reinterpretado de forma a encaixar um evento contemporâneo em uma declaração imprecisa. Todas as profecias atribuídas a Nostradamus se enquadram nessa categoria. Além disso, ainda há muitas dúvidas quanto à autoria desses textos, se foram realmente escritos por ele ou compilados após sua morte.
Como cristãos, não podemos confiar no que é exposto nos escritos de Nostradamus, sobretudo considerando que dispomos de uma palavra segura de profecia na Bíblia e que o testemunho de Jesus manifesta o espírito da profecia. As profecias bíblicas jamais falham, e devemos reconhecer somente a Palavra inspirada de Deus como nossa fonte confiável de profecia.






