O cessacionismo é bíblico? O que é um cessacionista?

Cessacionismo é bíblico? O que é um cessacionista?

O cessationismo é a visão de que os dons milagrosos, como o falar em línguas e as curas, cessaram – isto é, o fim da era apostólica trouxe o encerramento dos milagres associados àquela época. A maioria dos cessationistas acredita que, embora Deus possa e ainda realize milagres hoje, o Espírito Santo não utiliza mais indivíduos para manifestar sinais miraculosos.

O registro bíblico demonstra que os milagres ocorreram em períodos específicos com o propósito de autenticar uma nova mensagem vinda de Deus. Moisés foi capacitado a realizar milagres para autenticar seu ministério perante o Faraó. Elias recebeu sinais para confirmar seu ministério diante de Acabe. Os apóstolos exerceram milagres como forma de autenticar seu ministério perante Israel.

O ministério de Jesus também foi marcado por milagres, os quais o apóstolo João chama de “sinais”. Segundo João, esses sinais eram provas da autenticidade da mensagem de Jesus.

Após a ressurreição de Jesus, à medida que a Igreja se estabelecia e os escritos do Novo Testamento eram compilados, os apóstolos demonstraram sinais como o falar em línguas e o poder de curar. As línguas serviam como um sinal não para os que já creem, mas para aqueles que não creem, chamando a atenção dos judeus incrédulos para a nova realidade da salvação oferecida por Deus.

O apóstolo Paulo previu que o dom de línguas cessaria. A seguir, são apresentados seis argumentos de que esse dom já chegou ao fim:

  1. Os apóstolos, através dos quais o dom de línguas se manifestou, foram únicos na história da Igreja. Assim que seu ministério se encerrou, a necessidade dos sinais autenticadores deixou de existir.
  2. Os dons milagrosos são mencionados apenas nas epístolas mais antigas, como 1 Coríntios. Em livros posteriores, embora haja passagens detalhando os dons do Espírito, os dons milagrosos não são citados – com exceção do dom de profecia, cuja ênfase é em proclamar a revelação e não necessariamente em prever o futuro.
  3. O dom de línguas funcionava como sinal para o Israel incrédulo, demonstrando que a salvação de Deus estava agora disponível para outras nações.
  4. O dom de línguas era considerado inferior à profecia, ou seja, à pregação. Enquanto pregar a Palavra de Deus edifica os crentes, falar em línguas não promove essa edificação. Por essa razão, os crentes são orientados a buscar a profecia em vez do falar em línguas.
  5. A história aponta que o dom de línguas cessou. Esse dom não é mencionado entre os Pais da Igreja da era pós-apostólica. Escritores da época, como Justin Mártir, Orígenes, Crisóstomo e Agostinho, consideravam o dom das línguas um fenômeno restrito aos primeiros dias da Igreja.
  6. Há indícios de que o dom de línguas deixou de existir. Se ainda estivesse disponível, missionários não precisariam aprender novos idiomas em escolas, pois poderiam viajar para qualquer país e falar fluentemente qualquer língua de forma milagrosa, assim como os apóstolos fizeram no passado. De maneira similar, o dom de cura estava intimamente associado ao ministério de Jesus e dos apóstolos e se tornou menos comum à medida que a era dos apóstolos chegava ao fim. Mesmo o apóstolo Paulo, que ressuscitou Eutico, não curou outros companheiros nem a si próprio. Isso se explica pelo fato de que o dom nunca teve por finalidade curar todos os cristãos, mas sim autenticar o ministério apostólico, cuja autoridade já havia sido suficientemente demonstrada.

Esses argumentos fundamentam a crença dos cessationistas de que os dons milagrosos de sinais cessaram. No entanto, é importante ressaltar que eles creem que Deus continua a operar por meio dos demais dons do Espírito. Conforme ensina a Escritura, o principal é “buscar o amor”, que é o maior de todos os dons. Se houver o desejo por outros dons, que seja o de proclamar a Palavra de Deus para a edificação de todos.

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