O papa é o vicário de Cristo?

Pergunta

O papa é o Vicário de Cristo?

Resposta

O termo vicário vem do latim vicarius, que significa “em lugar de”. Na Igreja Católica, o vicário é o representante de uma autoridade superior, detentor de toda a autoridade e poder que esse oficial possui. Chamar o papa de “Vicário de Cristo” implica que ele teria o mesmo poder e autoridade que Cristo teve sobre a igreja. Esse título é derivado das palavras de Jesus a Pedro, em que Ele ordena: “Alimenta os meus cordeiros … Cuida das minhas ovelhas”, definindo, segundo o raciocínio católico, Pedro como o Príncipe dos Apóstolos, o primeiro papa, cumprindo assim as palavras de Jesus ao chamá-lo de “a pedra sobre a qual edificará a Sua igreja”.

Para compreender melhor se é, ou não, bíblico considerar que um mero homem seja o representante de Cristo, voltamos às páginas das Escrituras para observar o papel de Jesus em nossas vidas, tanto quando Ele andou sobre a terra quanto no que continua fazendo hoje. A carta aos Hebreus estabelece uma comparação entre Jesus e o sumo sacerdote Melquisedeque, contrastando essa realidade com o antigo sacerdócio levítico. A pergunta que se coloca é: se a perfeição pudesse ser obtida seguindo a lei, por que seria necessário o surgimento de outro sacerdote?

O autor afirma: “Está claro que nosso Senhor desceu de Judá, e, relativamente a essa tribo, Moisés nada disse acerca dos sacerdotes. Torna-se ainda mais evidente se aparecer outro sacerdote, à semelhança de Melquisedeque, que não foi constituído sacerdote segundo a ordem de sua linhagem, mas pela virtude de um sacerdócio indestrutível. Pois é declarado: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. A antiga ordem foi desconsiderada, pois era fraca e ineficaz (a lei não trouxe aperfeiçoamento), e uma esperança melhor foi estabelecida, pela qual nos aproximamos de Deus.”

Isso torna Jesus superior aos sacerdotes e, mais importante, aos sumos sacerdotes. O texto-chave ressalta: “Desde que os sacerdotes, por motivo de morte, não podem continuar em serviço, mas Jesus, vivendo para sempre, possui um sacerdócio permanente. Portanto, Ele é capaz de salvar completamente aqueles que se aproximam de Deus por meio d’Ele, pois vive sempre para interceder por eles.”

Isso significa que Jesus é nosso sumo sacerdote para sempre. Sendo Ele “santo, irrepreensível, puro, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus”, diferentemente dos demais sacerdotes, Ele “não precisa oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro pelos Seus próprios pecados e depois pelos pecados do povo. Ele se sacrificou de uma vez por todas ao oferecer a Si mesmo”. Os homens são designados pela Lei e são falíveis, mas o Filho foi designado pelo Novo Testamento e foi aperfeiçoado para sempre. Assim, o ministério de Jesus é superior ao antigo e está fundamentado em promessas melhores.

A Bíblia declara que não há outro nome pelo qual os homens possam ser salvos. Existe apenas um mediador entre Deus e os homens, e esse é Jesus Cristo. Podemos, portanto, constatar que não há fundamento bíblico para afirmar que um homem seja o representante de Cristo na terra. Nenhum homem pode realizar o que Cristo fez, ou o que Ele continua fazendo em favor da humanidade. Ademais, o título de vicário implica que o portador detém a mesma jurisdição e autoridade do oficial que representa; orla Jesus, em suas palavras ao afirmar que edificaria Sua igreja, nunca delegou esse poder. Ao reivindicar o título de Vicário de Cristo, o papa estaria, na verdade, prometendo realizar aquilo que o próprio Cristo prometeu.

Jesus prevê, sim, um “vicário” no sentido de um substituto para Sua presença física na terra. Contudo, esse “vicário de Cristo” não se trata de um sacerdote, sumo sacerdote, bispo ou papa. O único “Vicário de Cristo” estabelecido na Bíblia é o Espírito Santo, que atua como nosso Consolador, Mestre e Guia para toda a verdade.

Ao atribuir ao papa o título de “Vicário de Cristo”, a Igreja Católica está, na verdade, rejeitando a suficiência e a supremacia do sacerdócio de Cristo, concedendo ao papa funções que o próprio Cristo designou para o Espírito Santo. Dessa forma, é considerada uma blasfêmia atribuir ao papa o título de “Vicário de Cristo”.

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