Quais são as obras da carne?

Quais são as obras da carne?

Gálatas 5:19–21 fala das obras da carne, dizendo que são evidentes: imoralidade sexual, impureza, sensualidade, idolatria, feitiçaria, inimizade, contendas, ciúmes, acessos de raiva, rivalidades, dissensões, divisões, inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes.

Paulo adverte que aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus. As obras da carne representam aquilo a que os seres humanos naturalmente tendem – atitudes que vão de encontro ao desígnio de Deus para nossas vidas. Quem opta por um estilo de vida marcado pela imoralidade, raiva, divisões, embriaguez e outros comportamentos similares demonstra, de certa forma, que não está verdadeiramente salvo.

Quando a Bíblia se refere à “carne”, muitas vezes está apontando para nossas tendências naturais ao pecado. Todos nascemos com uma natureza pecaminosa (Romanos 5:12), inclinando-nos, por instinto, a satisfazer nossos próprios desejos. Podemos aprender a nos comportar de maneira mais socialmente aceitável e até encontrar prazer em atos de bondade, mas sem o poder transformador de Deus, permanecemos egocêntricos. Mesmo ao fazer algo de bom, muitas vezes buscamos uma recompensa pessoal. Qualquer ato realizado sem a verdadeira fé ou sem o amor a Deus – qualquer ação que não seja capacitada pelo Espírito Santo – é classificado como uma “obra da carne” (Romanos 8:8; 14:23).

Na salvação, o Espírito Santo habita o coração arrependido, permitindo-nos fazer escolhas alinhadas com o Espírito em vez de ceder à carne (Gálatas 5:16; Ezequiel 36:27; Romanos 8:4; Colossenses 3:5–8). Somos chamados a nos considerar “crucificados com Cristo” (Gálatas 2:20) e nossa antiga natureza pecaminosa como morta (Romanos 6:2, 11), embora a natureza carnal não se extinga facilmente. Mesmo entre os seguidores mais dedicados de Cristo, essa batalha interna persiste. O apóstolo Paulo descreve bem essa luta em Romanos 7:21–23: “Vejo, então, que a lei está operando, pois, embora eu queira fazer o bem, o mal está bem presente em mim. Pois, em minha parte interior, deleito-me na lei de Deus, mas percebo outra lei atuando em mim, que trava uma batalha contra a lei da minha mente e me torna prisioneiro da lei do pecado que atua em mim.”

As obras da carne nem sempre se manifestam de forma tão evidente quanto as listadas acima. Muitas vezes, elas podem se infiltrar no ministério cristão, quando indivíduos buscam ganhar popularidade ou elevação pessoal sob a aparência de servir a Cristo. Diotrefe, por exemplo, foi repreendido por esse comportamento em 3 João 1:9. Tentar agradar a Deus por motivos egoístas acaba promovendo uma competição desleal, difamação, amargura e, com o tempo, o desgaste espiritual (Gálatas 1:10).

Essas obras contrastam totalmente com o fruto do Espírito, descrito em Gálatas 5:22–23. O que realmente agrada ao Senhor não é uma obra a ser realizada, mas um fruto que só o Espírito Santo pode produzir em nossas vidas. Para evitar cair nas obras da carne, é fundamental permanecer em constante submissão ao Espírito Santo, permitindo que Ele dirija cada aspecto de nossa existência (Efésios 5:18; Gálatas 5:25).

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