Pergunta
O que a Bíblia diz sobre a correção política? Um cristão deve ser politicamente correto?
Resposta
A correção política (CP) é definida como “um termo que descreve uma linguagem, ideias, políticas e comportamentos vistos como formas de minimizar ofensas em contextos ocupacionais, de gênero, racial, cultural, de orientação sexual, crença religiosa, deficiência e idade”. A palavra-chave aqui é ofensa. Nenhum indivíduo ou grupo deve ser ofendido no mundo da CP. Certamente, como cristãos, não devemos nos esforçar para ofender ninguém pessoalmente, mas a verdade é que o próprio Cristianismo se torna uma ofensa.
O apóstolo Paulo faz referência à “ofensa da cruz”. A cruz era uma ofensa para os judeus, pois a ideia deles de salvação baseava-se em “executar as obras de Deus” – ou seja, guardar as inúmeras e pesadas leis e regras do Antigo Testamento. Quando Jesus veio pregando a salvação pela graça, somente, mediante fé, esse sistema se desfez. Ele deixou claro que “pelas obras da lei, nenhum ser humano será justificado diante dele” e que toda a observância da lei não possuía valor algum. Para eles, era especialmente repugnante a ideia de que, sem Jesus, aqueles que se orgulhavam de sua meticulosa obediência à letra – se não também ao espírito – da lei, não poderiam fazer nada de valor espiritual.
De fato, a ofensa que Jesus provocou foi um verdadeiro tropeço para os judeus, como Paulo explicou aos Romanos. Ele os lembrou da profecia de Isaías, segundo a qual Deus estabeleceria uma Pedra Angular (Cristo) em Sião, sobre a qual muitos iriam tropeçar e cair. Assim como os judeus não aceitavam que suas obras fossem consideradas inúteis diante de Deus, muitos hoje resistem à ideia de que Cristo edificará Sua igreja não com base em méritos humanos, mas exclusivamente sobre Sua justiça. Essa mensagem continua tão ofensiva hoje quanto foi na época de Jesus, pois ninguém gosta de saber que nada pode ser feito para conquistar seu lugar no céu.
Igualmente desafiadora é a necessidade de morrer para si mesmo a fim de seguir Cristo. Entre todas as religiões do mundo, o Cristianismo é a única em que o fundador ordena que se O siga e se esteja disposto a morrer. Conforme registrado em Mateus 16:24: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. Aqueles que ouviram essa mensagem compreenderam plenamente o que Jesus significava: segui-lo implicava em morrer para o ego e abrir mão de tudo aquilo que julgavam ser indispensável. Por essa razão, muitos se afastaram no momento de Sua prisão, pois não estavam dispostos a morrer com Ele.
Portanto, a preocupação com a correção política no âmbito secular não deve ocupar o lugar dos cristãos ou da igreja, uma vez que “nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que, pelo poder que lhe é concedido, colocará todas as coisas debaixo do Seu domínio” (Filipenses 3:20–21).






