Jesus deseja que “arrependimento para o perdão dos pecados seja pregado em seu nome a todas as nações” (Lucas 24:47). O campo missionário abrange “todas as nações” – sem restrições geográficas, culturais ou de idade. Todos precisam se arrepender e ser perdoados, inclusive as crianças de todas as nações. Assim, as crianças devem ser evangelizadas, e diversas organizações cristãs trabalham para alcançar esse objetivo.
A Bíblia afirma que as crianças são uma bênção de Deus (Salmo 127:3). Elas precisam de instrução (Provérbios 8:32–33) e são perfeitamente capazes de aprender. Inclusive, Timóteo foi instruído na Palavra desde muito jovem, tendo conhecido as Sagradas Escrituras “desde a infância” (2 Timóteo 3:15), graças aos ensinamentos de sua mãe e avó piedosas (2 Timóteo 1:5).
As crianças são capazes de louvar a Deus. O salmista celebra o nome majestoso do Senhor ao afirmar: “Pela voz das saudações de crianças e bebês estabeleceste uma fortaleza contra os teus adversários” (Salmo 8:2). Louvar não é algo que elas devem adiar para uma idade mais avançada, mas uma alegria que podem expressar desde já. Quando Jesus chegou ao templo, os principais sacerdotes se mostravam distantes e reprovadores, mas as crianças, com entusiasmo, clamavam nos pátios: “Hosana ao Filho de Davi” (Mateus 21:15).
Um dos melhores trechos sobre a evangelização das crianças encontra-se em Marcos 10:13–16. Nesse relato, pessoas traziam crianças a Jesus para que Ele impusesse as mãos sobre elas, mas os discípulos as repreendiam. Ao ver isso, Jesus se indignou e disse: “Deixem vir a mim os pequeninos, não os impeçam, pois o Reino de Deus é daqueles que são como eles. Digo a verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, jamais entrará nele.” Em seguida, Jesus tomou as crianças em seus braços, impôs as mãos sobre elas e as abençoou. Aqueles que colocam obstáculos no caminho de uma criança que se aproxima de Cristo deixam o Senhor indignado.
Ao abençoar as crianças, Jesus enfatizou a importância da fé. O reino deve ser recebido “como uma criança” (Marcos 10:15). As crianças não se empenham em conquistar o Reino de Deus; elas confiam que este lhes será concedido. Com uma fé simples – pautada na confiança e na dependência de Deus –, somente aqueles que a possuem podem ser salvos.
Jesus também utilizou o exemplo de uma criança para ilustrar a humildade verdadeira e o relacionamento que Deus deseja ter com cada um de nós. Quando os discípulos perguntaram quem seria o “maior” no céu, Ele chamou uma criança e a colocou entre eles, afirmando: “A menos que vocês se humilhem e se tornem como crianças, nunca entrarão no Reino dos Céus. Quem se humilhar como esta criança será o maior no Reino dos Céus. Quem receber uma criança em meu nome, me recebe.” (Mateus 18:2–5).
No versículo seguinte, Jesus defende veementemente a proteção dos pequeninos: “Se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe seria ter uma grande pedra de moinho pendurada no pescoço e ser afogado nas profundezas do mar” (Mateus 18:6). Ao especificar que esses pequeninos são “aqueles que creem em mim”, Jesus deixa claro que as crianças podem e devem crer nele. Portanto, é imperativo que as evangelizemos.
Também devemos ter cuidado para não fazer com que uma criança que crê tropece. A expressão “fazer tropeçar” implica em enganar, fazer cair ou induzir ao pecado. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando rejeitamos ou ignoramos as crianças – o oposto de acolhê-las – ou quando as conduzimos ao pecado.
Na carta aos Efésios, Paulo escreve para “o povo santo de Deus em Éfeso, os fiéis em Cristo Jesus” (Efésios 1:1), descrevendo-os como redimidos pelo sangue de Cristo e perdoados de seus pecados (Efésios 1:7). Mais adiante, ele orienta os crentes sobre como viver de maneira digna do seu chamado, ordenando que as crianças (teknon, em grego) obedeçam a seus pais no Senhor (Efésios 6:1). O fato de Paulo dirigir-se também às crianças indica que elas já faziam parte do povo santo de Deus em Éfeso. Assim, as crianças de hoje podem e devem confiar em Cristo, assim como os pequenos daquela comunidade.
Na carta a Tito, ao enumerar as qualificações para os líderes da igreja (Tito 1:6–9), encontra-se a menção aos “filhos que creem”. Se esses pequenos têm fé, é porque já foram evangelizados.
No Antigo Testamento, havia uma forte ênfase na transmissão da Lei de Deus para as próximas gerações, para que elas também temessem o Senhor e obedecessem à Sua Palavra. Moisés lembrou o povo em Deuteronômio 6:1–9 que obedecesse às leis de Deus, não apenas para a geração presente, mas também para seus filhos e netos. A principal responsabilidade dos pais era viver de acordo com a Palavra, gravando-a em seus corações, para então transmiti-la aos seus filhos. Esses princípios continuam relevantes para os pais cristãos de hoje.
Se não compartilharmos o evangelho com as próximas gerações, corremos o risco de repetir os erros do passado, como exemplificado em Juízes 2:10–11, quando uma nova geração desconhecia o que o Senhor havia feito por Israel e se afastava do caminho da verdade. O que é necessário em todas as nações e a cada dia é o poder transformador do evangelho de Cristo. Evangelizar as crianças é um mandamento abençoado por Deus.






