A palavra discernir e seus derivados são traduções da palavra grega “anakrino” no Novo Testamento. Significa “distinguir, separar por busca diligente, examinar”. Discernimento é a capacidade de discriminar adequadamente ou fazer determinações, estando intimamente ligado à sabedoria. A própria Palavra de Deus é dita discernir os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12).
Uma mente perspicaz demonstra sabedoria e discernimento que vão além do que se vê e se ouve. Por exemplo, a Palavra de Deus é “discernida espiritualmente”. Para uma mente humana sem o Espírito, as coisas de Deus podem parecer “tolice” (1 Coríntios 2:14). É o Espírito que, então, nos confere o discernimento espiritual.
O rei Salomão era conhecido por seu poder de discernimento, tomando muitas decisões sábias e realizando julgamentos morais (1 Reis 3:9, 11). Os cristãos de hoje também devem desenvolver esse discernimento. Paulo, por exemplo, orou para que os crentes “pudessem discernir o que é melhor… até o dia de Cristo” (Filipenses 1:10).
Uma pessoa que possui discernimento reconhece o valor da Palavra de Deus: “Todas as palavras que saem da minha boca são justas; nenhuma delas é tortuosa ou perversa. Para o discernente, todas são corretas; são impecáveis para aqueles que têm conhecimento” (Provérbios 8:8-9). Buscar o discernimento é um objetivo para todos que desejam trilhar um caminho justo: “Quem é sábio perceberá estes ensinamentos. Quem possui discernimento os compreenderá. Os caminhos do Senhor são corretos; os justos neles caminham, mas os rebeldes tropeçam” (Oséias 14:9).
Somos instruídos a “odiar o que é mau e a apegar-nos ao que é bom” (Romanos 12:9). Porém, sem verdadeiro discernimento, como podemos determinar o que é “mau” e o que é “bom”? Para manter a pureza do evangelho, a igreja deve ser capaz de distinguir a verdade da heresia. A sabedoria exige, ainda, que saibamos diferenciar corretamente entre o que é “melhor” e o que é meramente “bom”.
O discernimento traz inúmeros benefícios. “Filho meu, conserva o bom senso e o discernimento; não os deixes sair da tua vista; eles serão para ti vida e um ornamento para o teu pescoço. Assim, andarás em segurança e o teu pé não tropeçará; quando te deitares, não terás medo, e o teu sono será repousante” (Provérbios 3:21-24).
Assim como Salomão buscou o discernimento e a sabedoria para explorar a obra de Deus e entender o sentido da vida (Provérbios 1:2; 1 Reis 3:9-12; Eclesiastes 1:13; Eclesiastes 12:13), os crentes devem buscar “a sabedoria que vem do céu” (Tiago 3:17). Devemos estudar as Escrituras, que são “capazes de te tornar sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus” (2 Timóteo 3:15).
Que nossa oração seja: “Eu sou teu servo; conceda-me discernimento para que eu possa compreender os teus estatutos” (Salmo 119:125).






