O que a Bíblia diz sobre o ostracismo?

Pergunta

O que a Bíblia diz sobre evitar (ou “se furtar de”) algo ou alguém?

Resposta

Evitar é deliberadamente se esquivar de algo ou alguém. Na Bíblia, o termo “evitar” é aplicado ao mal. O Senhor afirmou que o seu servo Jó era “íntegro e reto, um homem que teme a Deus e se distancia do mal”. Jó mesmo confessou que “o temor do Senhor é a sabedoria, e evitar o mal é o entendimento”. A Bíblia nos aconselha: “Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme o Senhor e evita o mal”. Da mesma forma, “um homem sábio teme o Senhor e evita o mal”. Assim, evitar o mal é algo positivo.

Em contextos religiosos e eclesiásticos, evitar pode ser entendido como uma forma de disciplina na igreja contra uma pessoa que violou as regras da comunidade. Isso envolve uma decisão formal da igreja de proibir qualquer interação com o indivíduo em questão. A extensão e a duração dessa prática variam entre os grupos que a adotam. Embora seja comumente associada aos grupos Amish e Menonitas, essa prática também é utilizada por outras igrejas. Certos cultos e sociedades tradicionais, como em Bali, adotam formas severas de evitar que podem levar à exclusão completa de famílias da sociedade.

No caso dos Amish, os membros da igreja não podem sentar à mesma mesa daqueles que estão sendo evitados, nem fazer negócios com eles ou receber qualquer coisa deles. Essa prática é aplicada apenas aos membros adultos batizados que violam deliberadamente seus votos com a igreja. Não é aplicada a não-membros ou àqueles que nunca assumiram tais votos.

Embora o evitar esteja relacionado à excomunhão, as duas práticas não são sinônimas. Ser excomungado significa perder os direitos de participação na igreja – por exemplo, não poder mais votar ou ministrar aulas –, enquanto evitar vai além disso: significa negar qualquer tipo de interação pessoal com os membros da igreja, mesmo em ambientes sociais fora do contexto eclesiástico. É possível ser excomungado sem ser evitado. Embora o ato de evitar possa ter tendências legalistas e até ser abusado em manipulações espirituais, há um momento adequado para romper uma associação. A Bíblia ensina a excomunhão como uma forma de disciplina e, em alguns casos, as instruções podem ser interpretadas como uma forma de evitar o convívio com alguém, conforme refletido no ensinamento de não se alimentar com quem se declama cristão e simultaneamente se entrega a pecados públicos e sem arrependimento. Depois de se excomungar tal pessoa, a igreja deve ter o cuidado de não transmitir a impressão de que tudo está normal, pois, enquanto um pecador obstinado continuar a se considerar filho de Deus, ele não poderá ter uma comunhão real com o corpo de Cristo.

Outros trechos das Escrituras também abordam o tema da excomunhão e a ruptura de associações íntimas. Entretanto, além da orientação de não conviver com esse indivíduo, a Bíblia não apresenta detalhes específicos sobre como deve ser a prática de evitar. Mesmo nesse trecho, não fica totalmente claro até que ponto o evitar deveria se estender – se seria aplicado, por exemplo, ao contexto da Ceia do Senhor ou se se tratava de uma referência cultural à manifestação de aceitação plena em comunhão. De qualquer forma, parece que formas extremas – como considerar alguém “morto”, ignorá-lo por completo ou recusar-se a reconhecer sua existência – ultrapassam o que as Escrituras ordenam. Afinal, Jesus ensinou que, quando alguém é excluído da igreja, deve ser tratado como “um pagão ou coletor de impostos”. Em outras palavras, o ofensor intransigente deve ser tratado como alguém que não está salvo. Mas afinal, como devemos tratar os que não estão salvos? Com amor e graça, pois mesmo aqueles que estão longe da salvação precisam ouvir a mensagem do evangelho. Devemos amar até os nossos inimigos.

O objetivo da excomunhão e de qualquer forma de evitar não é punir de forma definitiva, mas sim promover a restauração. Toda disciplina aplicada visa levar ao arrependimento e, finalmente, a reintegração daquele que se afastou. Ao ser formalmente excluído da igreja, o pecador pode ser levado a se arrepender. Quando o indivíduo da igreja de Corinto finalmente reconheceu seu pecado e se arrependeu, ele voltou à comunidade em busca de perdão e reconciliação, restaurando a comunhão com os demais crentes.

Em termos bíblicos, a exclusão de um indivíduo da igreja ocorre somente após advertências e aconselhamentos; ela é empregada apenas em casos de heresia genuína, divisões persistentes ou pecados flagrantes e não arrependidos – e sempre como último recurso. Mesmo após a excomunhão, a dinâmica entre o ex-membro e a igreja muda, e a orientação de “não se alimentar” com esse indivíduo pode ser aplicada. Entretanto, a igreja continua tendo a responsabilidade de orar pela pessoa disciplinada e de estender o perdão sempre que houver arrependimento. Recusar-se a falar com alguém ou romper completamente todos os laços vai além do que a Bíblia recomenda.

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