Qual é a Living Church of God e quais são as suas crenças?
A Living Church of God (LCG), liderada pelo Evangelista Presidente Roderick C. Meredith, surgiu como um desdobramento da Worldwide Church of God de Herbert W. Armstrong. A LCG afirma que o nome “Church of God” é o único nome bíblico para uma igreja, dado pelo próprio Deus (Atos 20:28). As formas como a Living Church of God se diferencia do cristianismo histórico são inúmeras, e, por conta de seus erros característicos – uma mistura inusitada dos ensinamentos das Testemunhas de Jeová, do mormonismo e de um apocalipse cercado de temor – essa “igreja” pode ser considerada um culto a ser evitado.
A Living Church of God defende que é a “verdadeira Igreja de Deus que se distingue deste Babilônico religioso”, isto é, de todas as outras denominações cristãs. Em seu site, há referências constantes aos erros e aos ensinos falsos do “cristianismo tradicional” e da “maioria dos ministros”. O grupo tem um foco marcante no legalismo. Embora afirme que a salvação é obtida por meio da fé na obra consumada de Cristo (Hebreus 9:15), atribui a mesma ênfase à obediência à Lei. Para eles, a Lei que Deus deu aos israelitas também é vinculante para os cristãos do Novo Testamento. Afirmam ainda que americanos e britânicos são as “tribos perdidas de Israel”, fazendo com que as festas judaicas, as leis dietéticas e os Dez Mandamentos continuem obrigatórios como parte do caminho para a salvação. Além disso, a Living Church of God não celebra aniversários, Natal ou outros feriados, enfatizando o sábado como o único dia adequado para adoração. O grupo também proíbe seus membros de participarem da política, de atuarem como jurados, de votarem e de prestarem serviço militar. Eles afirmam categoricamente que qualquer grupo de cristãos que não combine a Lei com a graça, da mesma forma que fazem, não é a “verdadeira igreja”.
Esse foco na obediência à Lei não é novidade. Aqueles que tentam combinar a Lei com a graça para a salvação são chamados de judaizantes. Paulo lidou com os judaizantes na igreja primitiva, uma vez que muitos judeus convertidos se recusavam a aceitar os crentes gentios que não observavam a Lei (Romanos 9:31). O apóstolo foi enfático: “uma pessoa não é justificada pelas obras da lei” (Gálatas 2:16) e argumentou logicamente contra os judaizantes: “se a observância da lei pudesse nos tornar certos diante de Deus, então não haveria necessidade de Cristo morrer” (Gálatas 2:21). Essa discussão sobre a salvação pela fé, sem as obras da Lei, foi resolvida pelos apóstolos em Atos 15, onde Pedro afirmou: “Então, por que vocês tentam impor aos gentios um jugo do qual nem nós nem nossos antepassados pudemos suportar? De forma alguma! Cremos que é pela graça do nosso Senhor Jesus que somos salvos, assim como eles também” (versículos 10–11).
Outra grande diferença entre a Living Church of God e o cristianismo evangélico é a rejeição da doutrina da Trindade. O grupo defende que apenas Jesus e o Pai compõem a divindade, e seu site afirma: “O Espírito Santo é a própria essência, a mente, a vida e o poder de Deus. Ele não é um Ser.” No entanto, Jesus nunca se referiu ao Espírito Santo como “isso”; em diversas passagens (João 14:26; 15:26; 16:13), o Espírito é identificado como “Ele”. Mateus 28:19 apresenta uma das manifestações mais claras do Deus triúno, quando Jesus ordena aos Seus discípulos que batizem “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Se o Espírito Santo não for uma entidade distinta, por que Jesus o nomearia de forma separada?
A Living Church of God não defende a imortalidade da alma e do espírito, mas dá grande ênfase ao vindouro “reino de Deus” na Terra, que se manifestará na ressurreição física dos mortos (Apocalipse 20:4). Segundo eles, o céu não é o destino dos filhos de Deus nem o inferno o destino eterno dos irremediáveis. Afirmam que, após a morte, a pessoa permanece no estado de morte até a ressurreição, quando “todos os seres humanos que já viveram terão uma compreensão genuína da palavra de Deus e do verdadeiro cristianismo – e a grande maioria reagirá!” Para o grupo, isso não representa uma “segunda chance”, mas sim a “primeira oportunidade”. De acordo com essa doutrina, o inferno consistiria apenas de um breve momento de punição após a ressurreição, e os irremediáveis seriam, então, aniquilados de forma definitiva.
Contudo, esse ensinamento não encontra respaldo nas Escrituras. Jesus falou muito sobre a vida eterna e o castigo perpétuo (Mateus 25:46; Marcos 9:43) e ilustrou esse conceito de maneira clara na parábola do homem rico e Lázaro, registrada em Lucas 16:19–31, onde o homem rico clama: “Estou agonizando neste fogo” (verso 24). Além disso, Jesus afirmou: “estão abertas as portas e amplos os caminhos que conduzem à destruição, e muitos entram por eles. Mas estreita é a porta e estreito o caminho que conduz à vida, e poucos o encontram” (Mateus 7:13). Se a doutrina da Living Church of God fosse verdadeira, permitindo que todos recebessem uma nova chance para a salvação, por que Jesus teria ordenado a evangelização do mundo agora (Mateus 28:19)? E por que os apóstolos teriam sofrido perseguição e martírio, sabendo que todos teriam outra oportunidade após a morte?
A Living Church of God também distorce o conceito de “nascido de novo” (João 3:3). Ela afirma que Jesus foi “nascido de novo” quando ressuscitou dos mortos e que aqueles que creem nele também seriam “nascidos de novo” para reinar com Ele em Seu reino na Terra.
O grupo sustenta que “Deus Todo-Poderoso não está tentando salvar todos agora. Pelo contrário, Deus está permitindo que a humanidade siga seu próprio caminho durante estes 6.000 anos de história humana – sob a influência maligna de Satanás, o Diabo. Deus intervém ocasionalmente… para chamar certos indivíduos a fazerem parte de Sua Igreja… e prepará-los para serem reis e sacerdotes sob Cristo no vindouro Reino de Deus na Terra.” Entretanto, a Bíblia ensina que uma das razões para o atraso do retorno de Jesus é o desejo de Deus para que muitos mais sejam salvos. Em 2 Pedro 3:9, lemos: “O Senhor é paciente… não querendo que nenhum pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” Se, de fato, a maioria se arrependeria após a ressurreição, por que Deus precisaria esperar?
Há muitos outros erros doutrinários na Living Church of God. Um dos sinais de um culto é a afirmação de ser “o único caminho verdadeiro” para a salvação. Quando a ênfase não está em Jesus como o único caminho verdadeiro (João 14:6), os equívocos tendem a surgir. Jesus advertiu: “Cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus” (Marcos 8:15), usando o fermento como símbolo das adições humanas à obra pura e salvadora de Deus. Com sua adesão rígida à Lei, semelhante à postura dos fariseus, a Living Church of God claramente se mostra como um grupo “levedado” que merece cautela.






