O que é o Alpha Course?
Este artigo adota uma postura bastante cautelosa em relação ao Alpha Course. Reconhecemos, porém, que o Alpha Course tem sido de tremenda ajuda para muitos cristãos. Muitas pessoas encontraram a fé em Jesus Cristo através dele, e muitas outras tiveram sua fé e conhecimento da Palavra de Deus fortalecidos. Mas por que emitir um alerta sobre o Alpha Course? O problema é que o Alpha Course pode assumir contornos muito distintos dependendo da igreja ou organização que o utiliza. Nas mãos de um professor firmemente evangélico, o curso pode ser excelente. Contudo, em mãos de alguém que busca promover crenças e práticas biblicamente questionáveis, o Alpha Course pode ser usado para doutrinar e enganar. Como em qualquer curso ou ensinamento, precisamos ser diligentes e discernentes, estudando a Palavra de Deus por conta própria e rejeitando tudo o que contradiz a Bíblia, além de avaliar com cuidado as qualificações dos responsáveis pelo ensino.
O Alpha Course foi iniciado no Reino Unido, na Holy Trinity Brompton Church, por Nicky Gumbel e Sandy Millar, em 1977. Essa igreja anglicana em Londres foi o centro do movimento de “holy laughter” na Inglaterra e na Europa, sendo conhecida por cultos que incluíam pessoas “abatidas pelo Espírito” e manifestações como risadas incontroláveis, espasmos, ruídos intensos semelhantes aos de animais e outras manifestações físicas durante serviços carregados de emoção. Embora haja muitos ensinamentos positivos no Alpha Course, este passado extremo às vezes se insinua nos seus conteúdos.
O curso começa com uma apresentação sólida da mensagem do evangelho e segue com ensinamentos bíblicos consistentes. É interessante notar que o Alpha Course não procura ensinar sobre a pessoa, o caráter ou os atributos de Deus, tampouco se concentra em doutrina. Essa postura pode provocar divisões entre os que se deseja incluir, como adeptos da Nova Era e católicos, por exemplo. Por buscar uma abordagem ecumênica que agrade a um vasto espectro de tradições e denominações, o curso acaba sacrificando muitas verdades essenciais da Bíblia. Uma tenda ampla, que inclua aqueles que defendem ensinamentos contrários aos fundamentos da fé que devemos preservar (como mencionado em Jude 1:3), implica que a Palavra de Deus seja dividida em porções palatáveis, levando a erros e à adoção de visões humanistas, em vez de seguir a revelação do Senhor. Isso pode levar o Alpha Course a se desviar para o erro, o ritualismo, a salvação baseada em obras e até mesmo manifestações associadas ao oculto. Há uma ênfase no evangelismo baseado na experiência, enquanto as doutrinas bíblicas são ignoradas ou minimizadas (1 Timóteo 4:13, 1 Timóteo 4:16).
Alguns professores utilizaram o Alpha Course para ensinar uma teologia conhecida como “kingdom now”, também chamada de “dominionismo” ou “triunfalismo”. Essa ideia sustenta que aqueles que possuírem fé suficiente poderão desfrutar, já no presente, de todos ou da maioria dos benefícios físicos e de saúde prometidos para o futuro Reino Milenar de Cristo na terra. Em essência, trata-se de um evangelho da “saúde, riqueza e prosperidade” reembalado com outro nome, onde saúde, riqueza e bons momentos são prometidos em nome da fé. Essa proposta trata Deus como uma espécie de caixa eletrônico espiritual, que deve conceder tudo o que pedimos, em vez de reconhecê-lo como um Deus santo, digno de nossa submissão à Sua vontade perfeita e propósito soberano. Em contextos assim, o Alpha Course pode ser empregado para promover a ideia de que o Espírito Santo pode ser invocado a fim de realizar milagres em resposta às demandas humanas.
Contudo, essa abordagem não é bíblica. Ela aplica de maneira equivocada passagens como João 14:12, em que Jesus declara: “Quem crê em mim fará também as obras que eu faço; e fará, e até maiores do que estas, porque eu vou para o Pai”. Na encarnação, Jesus estava limitado a um espaço e tempo determinados, deixando de lado as prerrogativas de Sua natureza divina (Filipenses 2:6-8). O envio do Espírito para habitar nos corações dos apóstolos e dos crentes trouxe milhões à fé em Jesus, e essas “maiores obras” referem-se a isso, e não aos sinais miraculosos que acompanharam o ministério de Jesus na terra para comprovar Sua identidade como o Messias judeu.
Jesus, ao se despedir dos discípulos e de todos que viriam a crer por meio do testemunho deles (João 17:20), explicou que seria necessário que Ele se retirasse para preparar um lugar para nós, mas que não os deixaria órfãos, pois o Pai enviaria outro Consolador. Esse Consolador seria de mesma natureza e qualidade que o próprio Cristo, estando com eles e habitando neles (João 14:17). Em nenhum momento foi mencionado que Ele os atingiria de forma a fazê-los perder o controle, algo que não foi registrado em nenhuma passagem das Escrituras. Ao contrário, Jesus repreendia os demônios ou espíritos maus responsáveis por tais manifestações e curava aqueles que estavam possuídos (Mateus 4:24; Mateus 8:16, 8:28; Mateus 9:32; Mateus 12:22; Mateus 15:22).
Como Pedro adverte em 2 Pedro 2:1, há perigo nas falsificações dos profetas e mestres que introduzem heresias destrutivas e, por vezes, negam o Senhor soberano. Por conta do ecumenismo do Alpha Course, ideias falsas e perigosas podem ser introduzidas com facilidade. O apóstolo Paulo disse que “um pouco de fermento leveda toda a massa” (1 Coríntios 5:6; Gálatas 5:9). Sendo assim, somos chamados a examinar os espíritos, a nos informar bem e a não nos deixarmos enganar pelos falsos mestres que proliferam hoje, conforme os alertas dados por Paulo (2 Coríntios 11:13; 2 Timóteo 3:1-7). Essas preciosas lições devem ser aplicadas em todas as épocas.
Novamente, como em qualquer curso ou ensinamento, precisamos ser diligentes e discernentes. É essencial estudar a Palavra de Deus por conta própria e descartar tudo o que a contradiz, além de avaliar cuidadosamente a qualificação daqueles que ministram o curso.






