O que é dominionismo cristão?
Dominionismo, ou Dominionismo Cristão, é um termo cunhado por cientistas sociais e popularizado por jornalistas para se referir a um subconjunto do Cristianismo americano que é conservador, politicamente ativo e acredita que os cristãos devem – e eventualmente irão – assumir o controle do governo. Embora o termo seja algumas vezes usado de forma abrangente para descrever qualquer cristão politicamente ativo, nem todo cristão conservador é necessariamente um dominionista.
Os dominionistas cristãos acreditam que Deus deseja que os cristãos alcancem posições de poder por meio dos sistemas civis, para que Sua Palavra possa, então, governar a nação. A crença de que “os Estados Unidos são uma nação cristã” é denominada por alguns como “dominionismo brando”, enquanto a ideia de que Deus quer apenas que cristãos ocupem cargos no governo e administrem o país conforme a lei bíblica é chamada de “dominionismo rígido”.
As crenças dessa teologia se baseiam em Gênesis 1:28, que diz: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todo animal que se move sobre a terra.” (ênfase adicionada)
Para os dominionistas cristãos, esse versículo é interpretado como um mandato divino para reivindicar domínio sobre a terra – física, espiritual e politicamente. No entanto, essa interpretação amplia o sentido original do texto, que instrui apenas a ter domínio sobre as criaturas e a “sujeitar” a terra. É provável que o versículo signifique simplesmente que a humanidade deve: (a) multiplicar-se e expandir-se pela terra, em vez de permanecer concentrada em um único lugar, e (b) cuidar e preservar os demais seres vivos. Importante notar que em Gênesis 1 não existiam entidades políticas.
Entretanto, a teologia do dominionismo extrapola essa passagem e dá origem a duas filosofias: o Reconstrucionismo Cristão e a teologia do Reino Agora. O Reconstrucionismo Cristão é uma visão de mundo caracterizada por um elevado rigor intelectual, bastante popular entre os ramos mais conservadores da fé. Segundo essa corrente, o domínio será alcançado por meio da excelência individual de cada cristão em sua área – seja na arte, na música, nos negócios, entre outros – até que todos os sistemas estejam “sujeitos” a Cristo.
Já a teologia do Reino Agora, mais comum entre grupos carismáticos e pentecostais, enfatiza a conquista do domínio da terra por meio de uma batalha espiritual. Seus adeptos argumentam que, há muito tempo, Satanás teria roubado as “chaves do domínio espiritual” ao enganar Adão e Eva. Quando Jesus entregou as “chaves do reino” a Pedro, teria sido um sinal de que o domínio fora restituído ao homem. Assim, segundo essa visão, cabe a nós “reaver” o que nos é devido – reivindicar o domínio sobre a terra e subjugá-la espiritualmente para Cristo. Essa abordagem inclui a ocupação de cargos políticos pelos cristãos e a restauração do poder espiritual, manifestado por sinais, milagres e curas.
Embora muitos cristãos de boa-fé possam sentir-se atraídos por essas filosofias, o dominionismo cristão e seus desdobramentos não encontram respaldo bíblico. Ainda que se apoiem em princípios das Escrituras, tanto o Reconstrucionismo Cristão quanto a teologia do Reino Agora distorcem a essência e a mensagem do evangelho. É compreensível que, diante de questões como o aborto e o caos moral de uma sociedade relativista, os cristãos desejem influenciar a cultura e orientá-la para a justiça. Porém, abraçar o dominionismo não é uma opção viável à luz da Bíblia.
De certa forma, os discípulos já manifestavam uma mentalidade de “reino agora”, acreditando que Jesus estabeleceria imediatamente o reino e extinguiria o domínio romano. Contudo, esse não era – nem é – o propósito de Jesus. Pertencemos a um reino celestial que não é deste mundo e estamos em busca de uma morada permanente, uma cidade “com fundamentos”. O mundo ao nosso redor está em constante transição.
É digno e correto querer ver a justiça sendo praticada e os princípios bíblicos sendo respeitados. Somos chamados a agir para a glória do Senhor, sendo sal e luz, e é perfeitamente legítimo que os cristãos atuem em diversas áreas da sociedade – inclusive no governo. No entanto, “trazer o reino dos céus para a terra” não é a missão que nos foi confiada. Nosso papel é anunciar a maravilhosa notícia de que, apesar da condição pecaminosa de nossas almas, Deus nos providenciou a salvação por meio do sacrifício de Seu Filho. Pela graça, através da fé, tornamo-nos cidadãos de um mundo perfeito e eterno. Nossa verdadeira tarefa é “resgatar os que estão perecendo e amparar aqueles que estão prestes a cair”.
Enquanto o dominionismo cristão busca aperfeiçoar este mundo por meio da influência política, é o Espírito que efetivamente promove a mudança. Num tempo vindouro, Jesus trará Seu reino à terra, com justiça e verdadeira retidão, marcando o fim do sistema atual.






