O que é o Exército da Salvação e no que eles acreditam?

O que é o Exército da Salvação, e o que eles acreditam?

O Exército da Salvação se autodenomina “uma parte evangélica da Igreja Cristã universal com sua própria governança e práticas distintivas”. A maioria das pessoas reconhece seu escudo vermelho e branco como símbolo de uma organização de serviços sociais que responde a desastres, alimenta os sem-teto e administra lojas de segunda mão. Muitos, porém, não percebem que o propósito subjacente a esses esforços está enraizado no evangelho de Jesus Cristo.

Fundado em 1865 por William Booth, o Exército da Salvação surgiu da necessidade de alcançar os pobres e desamparados na Inglaterra com a mensagem de Jesus Cristo (Lucas 14:21). Booth iniciou um ministério evangelístico nas ruas e, à medida que as pessoas respondiam ao evangelho, ele as encaminhava para as igrejas e capelas de seus bairros. Esses “indesejados”, ao se apresentarem nas rigorosas igrejas vitorianas, eram frequentemente rejeitados por conta de suas vestimentas e costumes não convencionais. Para oferecer um local de culto e discipulado, Booth fundou a East London Christian Mission. Enquanto ditava uma carta na qual referia os crentes como o exército de Deus, o termo “Exército da Salvação” foi acuado, dando início à formação de sua missão com uma estrutura militar.

William Booth se autodenominou General do Exército da Salvação, e sua esposa, Catherine, passou a ser conhecida como “Mãe do Exército da Salvação”. Desde o início, as mulheres receberam a mesma liberdade e autoridade que os homens, com Catherine sendo ordenada ministra na organização. Os ministros receberam patentes de oficiais militares em consonância com suas funções e experiências, enquanto os membros passaram a ser chamados de soldados. Essa identificação militar servia de lembrete de que os cristãos estavam em missão permanente para alcançar os não convertidos. Booth baseou sua abordagem nos “três S” – Sopa, Sabão e Salvação –, garantindo que, ao transmitir a mensagem de salvação, as necessidades físicas das pessoas fossem também atendidas. Esse método permanece vigente até hoje.

Embora o Exército da Salvação tenha começado como uma igreja cristã independente, Booth teve o cuidado de não criticar outras igrejas, vendo cada uma delas como parte do Corpo de Cristo e, por isso, incentivando a harmonia e a cooperação. Um membro chegou a expressar as diferenças entre as igrejas afirmando que “na economia geral de Deus não há contradições inerentes, mas há paradoxos criativos.” Observando que muitos nas igrejas se apoiavam apenas em símbolos externos da fé – como o batismo e a comunhão – sem vivenciarem uma fé pessoal, Booth eliminou todas as formas de observância externa. O Exército da Salvação enxerga toda a vida como um sacramento a ser vivido para Deus, o que explica a não prática do batismo e da Ceia do Senhor, além de permitir variações significativas no estilo de adoração de um local para outro. O foco está na religião pessoal e na regeneração individual, com o compromisso de proclamar incessantemente o evangelho.

Seus ensinamentos básicos são semelhantes aos das igrejas evangélicas em geral: crença na Trindade, na total divindade e humanidade de Jesus Cristo, na completa depravação do homem ao nascer, na morte expiatória de Jesus Cristo pelos pecados da humanidade e na necessidade indispensável do arrependimento e da fé para a salvação. Seguindo a teologia arminiana, a organização ensina que a salvação contínua depende da constante obediência à Palavra de Deus.

Mantendo o espírito social que originou sua missão, o Exército da Salvação sempre incorporou a justiça social e o trabalho de caridade como partes fundamentais de seu ministério. Durante a Segunda Guerra Mundial, operou 3.000 unidades de atendimento a soldados e marinheiros, contribuindo para a criação do USO. Atualmente, desenvolve uma ampla gama de atividades, como visitas a presídios, respostas a desastres, assistência a refugiados, tratamentos para dependência, creches e casas para crianças, abrigos para pessoas em situação de rua e vítimas de violência doméstica, além de administrar lojas de segunda mão, hospitais, clínicas e escolas. Reconhecido mundialmente como uma organização de caridade, o Exército da Salvação está presente em 127 países, atendendo milhões de pessoas a cada ano.

Deixe um comentário