O que é o puritanismo e em que acreditavam os puritanos?

O que é Puritanismo e no que os Puritanos acreditavam?

Os puritanos foram um grupo amplo e diversificado de pessoas que defenderam a pureza religiosa nos séculos XVI, XVII e XVIII na Europa. Seu surgimento esteve diretamente relacionado ao aumento do conhecimento que chegou ao povo comum durante a Era do Iluminismo. À medida que as pessoas aprenderam a ler e escrever, e com a Bíblia se tornando mais acessível, muitos passaram a lê-la por si mesmos — um hábito fortemente desencorajado pela igreja estabelecida. Alguns puritanos estiveram ligados a grupos anabatistas na Europa continental, mas a maioria possuía vínculo com a Igreja da Inglaterra. O termo “puritano” foi cunhado na década de 1560 como uma designação pejorativa para aqueles que defendiam maior pureza na adoração e na doutrina.

Os puritanos ingleses, os mais conhecidos entre os americanos, acreditavam que a Reforma Inglesa não havia ido longe o suficiente e que a Igreja da Inglaterra ainda tolerava práticas associadas à Igreja de Roma, como a liderança hierárquica, o uso de vestimentas clericais e diversos rituais. Muitos defendiam a separação de todos os outros grupos cristãos, mas a maioria, os não-separatistas, desejava promover uma reforma interna na igreja. Com uma visão elevada das Escrituras — consideradas a única verdadeira lei de Deus — os puritanos acreditavam que cada indivíduo, assim como cada congregação, era diretamente responsável perante Deus, dispensando a intermediação de padres, bispos ou outros representantes religiosos. A Congregational Church na América, por exemplo, descende dos primeiros colonizadores puritanos, e grupos que defendem a autonomia congregacional e a piedade individual foram, de certa forma, marcados pelo seu legado. Mesmo atualmente, teólogos de diversas tradições religiosas apreciam as obras dos antigos divinos puritanos, apesar de divergências em certos pontos doutrinários.

Ao longo de sua história, os puritanos foram tratados de diversas maneiras pelas autoridades civis e eclesiásticas. Em certos momentos, foram tolerados a contragosto; em outros, sofreram severa perseguição. O rei Carlos I da Inglaterra envidou esforços para eliminar toda influência puritana, o que culminou na Grande Migração para a Europa e as Colônias Americanas. Os peregrinos que formaram a Colônia da Baía de Massachusetts eram puritanos separatistas, expulsos da Inglaterra e da Holanda. Já os puritanos não-separatistas que permaneceram na Inglaterra reagiram a essa perseguição com a Guerra Civil Inglesa (1641-1651), que resultou na execução de Carlos I, no exílio de seu filho, Carlos II, e na ascensão de Oliver Cromwell.

Tanto a América quanto a Grã-Bretanha possuem uma enorme dívida com os puritanos pelas bases que estabeleceram, as quais moldaram as liberdades que desfrutamos atualmente. Filosofias como o “direito divino” dos reis cederam lugar às liberdades individuais e ao reconhecimento dos direitos do cidadão comum. O que se conhece como “ética de trabalho Yankee” surgiu da crença de que o trabalho do homem é realizado, primeiramente, para conquistar a aprovação de Deus. A valorização da educação pública também tem suas raízes nos puritanos, que fundaram a primeira escola na América (Roxbury, 1635) e a primeira faculdade (Harvard, 1639), permitindo que as pessoas pudessem ler a Bíblia por si mesmas. Ademais, os fundamentos morais dos primeiros Estados Unidos foram fortemente influenciados pelo ênfase no comportamento piedoso dos líderes puritanos. Inclusive, Alexis de Tocqueville, após estudar a América na década de 1830, concluiu que o puritanismo foi a base fundamental que deu origem à república democrática.

Entre os puritanos mais conhecidos estão John Bunyan (autor de “O Progresso do Peregrino”), John Winthrop (famoso pelo sermão “Cidade sobre a Colina”), Cotton Mather e John Foxe (autor de “O Livro dos Mártires”).

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