O que é teologia do reino?

Pergunta

No sentido mais básico, a teologia do Reino é simplesmente a área da teologia que estuda o Reino de Deus. Nesse sentido, ela é uma parte legítima e benéfica da teologia como um todo. Entretanto, há movimentos teológicos inteiros que se autodenominam “teologia do Reino”, por isso é preciso ter cuidado para entender como o termo está sendo utilizado.

Resposta

Basicamente, a teologia do Reino divide a história humana em dois períodos amplos: a “era atual do mal” e a “era vindoura”. A primeira teve início com a queda do homem e perdurará até a Segunda Vinda de Cristo. Essa era é marcada pelo pecado, enfermidades, morte, doenças, guerras e pobreza, na qual Satanás é visto como o governante do mundo, embora seu domínio seja limitado. Já a “era vindoura” será o tempo em que o Reino de Deus reinará, proporcionando vida eterna e libertação do pecado, das enfermidades e do sofrimento, resultando em uma paz universal na Terra sob o reinado soberano de Deus sobre toda a criação.

Uma vertente da teologia do Reino é a visão que, por vezes, é denominada de “já, mas ainda não”. Essa perspectiva, popular entre os carismáticos, ensina que os “últimos dias” tiveram início com a ascensão de Cristo aos céus. Também chamada de “escatologia inaugurada”, essa visão entende que a vida, a morte e a ressurreição de Cristo inauguraram o começo da era final. Segundo essa interpretação, o Reino de Deus já está presente, mas ainda não foi plenamente consumado.

A teologia do Reino ensina que, desde o tempo de Cristo, ambos os períodos coexistem. Enquanto o Reino de Deus já começou (inaugurado por Cristo) e Cristo já reina no céu, os benefícios plenos do Reino ainda não se concretizaram, e continuamos enfrentando as consequências da queda. Como o Reino de Deus ainda não se manifestou em toda a sua glória e poder, os cristãos continuam sofrendo com doenças e morte. Até que Cristo retorne fisicamente, não experimentaremos a plenitude do Reino. Entre os adeptos dessa teologia, há um debate quanto ao grau de manifestação do poder do Reino nos dias de hoje. Alguns defendem, de forma extrema, que Deus já eliminou todas as enfermidades e a morte do mundo, bastando ter fé suficiente para crer nessa realidade.

A teologia do Reino se popularizou no movimento Vineyard e foi abraçada por líderes carismáticos como John Wimber. Uma distorção dessa teologia influenciou o Movimento da Última Rega e outros sistemas teológicos desvinculados da Escritura. Alguns grupos não distinguem entre as duas eras, presumindo que os benefícios plenos do Reino estão disponíveis agora, o que leva a reivindicações extravagantes e não bíblicas acerca de milagres, da capacidade dos cristãos viverem totalmente livres de enfermidades e de outros equívocos.

Levando o conceito bíblico de teologia do Reino a extremos não compatíveis com a Escritura, há aqueles que afirmam que os milagres realizados por “profetas e apóstolos” contemporâneos superam tudo o que foi feito pelos apóstolos originais. Esse ensino equivocado inspirou movimentos com doutrinas não bíblicas e, por vezes, até heréticas, como a denominada Teologia do Reino Agora e a Teologia do Domínio, sendo também popular entre os pregadores da “Palavra da Fé”.

A premissa básica da teologia do Reino – de que o Reino de Deus já está em vigor – é verdadeira, já que Deus é o soberano sobre todas as coisas e, segundo as Escrituras, Jesus Cristo está “à direita de Deus” e é “tanto Senhor quanto Cristo”. O erro de alguns proponentes da teologia do Reino reside na crença de que todas as promessas do Antigo e do Novo Testamento acerca do Reino de Deus se aplicam diretamente aos cristãos de hoje.

O ensino de que a salvação traz uma cura total e imediata de todas as doenças e problemas não tem respaldo bíblico. Jesus afirmou que o Seu reino “não é deste mundo” neste momento, e ensinou aos seus discípulos a orar para que o Reino viesse logo. As promessas do Reino aguardam um cumprimento futuro e mais completo com a Segunda Vinda de Cristo.

Formas extremas da teologia do Reino, como a doutrina do Reino Agora, apresentam diversos problemas. Primeiramente, tais ensinamentos diminuem a necessidade do retorno de Jesus; se o Reino de Deus já estivesse plenamente realizado para os cristãos, qual seria a razão para Cristo retornar? Em segundo lugar, essa doutrina torna Deus dependente da fé humana, afirmando que, para que Ele cumpra Sua vontade, é necessário termos fé e reivindicarmos as promessas (geralmente retiradas de seu contexto). Assim, o domínio de Deus é diminuído e Sua soberania é atacada, ao se atribuir ao homem o controle de seu próprio destino por meio de suas palavras e da força de sua fé.

Partindo do ensino equivocado de que Deus “perdeu o controle” da terra quando Adão e Eva pecaram, os defensores da teologia do Reino extrema acreditam que Deus tem buscado um “povo de aliança” que retomará o controle da terra de Satanás. Por meio do poder da fé e seguindo “apóstolos e profetas dos últimos dias”, a igreja restaurará o domínio sobre os reinos deste mundo – inclusive os reinos das enfermidades, doenças e problemas financeiros. Aqueles que abraçam esse ensino aguardam que, como povo de aliança de Deus, assumam o controle sobre o governo, a educação, a ciência e todos os outros aspectos da sociedade, alcançando isso através do uso dos dons miraculosos do Espírito antes do retorno de Cristo.

Quando corretamente compreendida, a teologia do Reino é compatível com o verdadeiro cristianismo bíblico. O perigo reside na distorção desse conceito teológico em uma doutrina não alinhada com as Escrituras, uma vez que os defensores da teologia do Reino podem variar desde professores sólidos da Bíblia até heréticos completos. É importante avaliar cada ensinamento individualmente, comparando-o com o que a Escritura ensina.

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