O que significa que o ferro afia o ferro?

O que significa que o ferro afia o ferro?

A expressão “o ferro afia o ferro” é encontrada em Provérbios 27:17: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro.” Assim como o ato de atritar duas lâminas de ferro resulta em uma melhor nitidez, tornando a faca mais eficiente para cortar e fatiar, a Palavra de Deus – que é uma espada de dois gumes (Hebreus 4:12) – serve para que possamos afiar uns aos outros em momentos de encontro, comunhão ou qualquer outra interação.

O provérbio também ressalta a necessidade de uma comunhão constante. O homem não foi criado para estar só – conforme descrito em Gênesis 2:18 –, e, portanto, mesmo após a queda da humanidade, torna-se ainda mais essencial estarmos juntos, reunindo-nos com nossos irmãos e irmãs em Cristo para momentos de comunhão e oração. Essa prática já era reconhecida pelos santos da igreja primitiva, que se dedicavam ao ensino, à comunhão, à ceia e à oração, proporcionando oportunidades para que uns afiassem os outros.

Dois pontos podem ser destacados a partir desse provérbio. Primeiro, o encontro de pessoas em nome do Senhor sempre garante bênção. É um meio de graça prometido pelo próprio Senhor – onde dois ou mais se reúnem em Seu nome, Ele se faz presente (Mateus 18:20). Em Malachi, também observamos que aqueles que temiam o Senhor conversavam uns com os outros, e o Senhor os ouvia. Ao nos empenharmos em um relacionamento cristão genuíno, o Senhor ouve de Céu e se agrada, não deixando passar nenhuma palavra que O glorifique.

O exemplo da relação entre Davi e Jônatas, filho de Saul, ilustra bem essa unidade divina. Quando Davi era perseguido intensamente por Saul, Jônatas procurou fortalecê-lo em Deus (1 Samuel 23:16). Esse relacionamento ressalta o segundo ponto: o ato de afiar o ferro é uma oportunidade para cumprirmos a Lei de Cristo. O apóstolo Paulo nos ensina que devemos carregar e compartilhar os desafios e fardos do dia a dia, lamentar o pecado pessoal, aconselhar sobre a melhor forma de arrependimento e alegrar-nos com a superação dele. Este é o mesmo “rei da lei” mencionado em Tiago 2:8, que nos exorta a amar uns aos outros.

Retomando a analogia, mesmo que uma faca esteja embotada, ela ainda cumpre sua função, embora de forma menos eficaz e útil. Portanto, devemos buscar passar mais tempo juntos, encorajando, exortando, orando, aconselhando e compartilhando a Palavra de Deus, bem como intercedendo pelas necessidades da nossa igreja local, para que possamos tornar-nos mais eficazes no ministério que o Senhor nos confiou. Atualmente, com muita freqüência, o que se chama de comunhão nas igrejas se resume a momentos de alimentação e diversão, sem o verdadeiro afinamento mútuo por meio da Palavra de Deus.

Por fim, uma faca afiada brilha mais, pois toda a opacidade é eliminada. Do mesmo modo, nossa luz resplandecerá para o Senhor se seguirmos consistentemente essas práticas, promovendo a unidade e harmonia entre nós. “Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Salmo 133:1). Assim, como ensina o autor de Hebreus, “consideremos uns aos outros, para nos incentivarmos ao amor e às boas obras, não deixando de nos reunir, como é costume de alguns, mas encorajando-nos, tanto mais quanto vocês veem que se aproxima aquele dia” (Hebreus 10:24–25).

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