O que significa ter deixado o seu primeiro amor (Apocalipse 2:4)?
Apocalipse 2:1-7 contém a mensagem de Jesus para a igreja de Éfeso, a primeira de sete exortações dirigidas a diversas igrejas do Império Romano. Em Éfeso, os seguidores de Cristo enfrentavam desafios únicos, pois viviam em uma cidade marcada pelo culto do imperador e pela adoração da deusa grega Ártemis. Por conta dessas influências, os crentes efésios desenvolveram uma grande habilidade para discernir falsos mestres e heresias. Cristo os elogiou por esse discernimento, mas os censurou por terem perdido seu “primeiro amor”.
Esse primeiro amor, que caracterizava os efésios, era o zelo e o fervor com que abraçaram a salvação, ao perceberem que amavam Cristo porque Ele os amou primeiro, e que, de fato, foi esse amor de Cristo por eles que os fez “viver em comunhão com Cristo”. Tão tomados pela alegria de compreenderem sua condição anterior — mortos em transgressões e pecados — e a nova vida em Cristo, que manifestavam o fruto dessa alegria, que transbordava em gratidão. Por causa do imenso amor de Deus pelos efésios, eles foram “vivificados em Cristo” e essa nova vida se revelava na paixão de gratidão, que se espalhava entre si e alcançava também a cultura corrompida em que viviam.
Jesus elogia os efésios pelas muitas boas obras e pela dedicação. Eles testavam os mestres para verificar se suas declarações eram genuínas, suportavam dificuldades e perseveravam sem se cansar. No entanto, haviam perdido o calor e o zelo por Cristo e, assim, passaram a realizar boas obras de forma automática, motivados não pelo amor por e a Cristo, mas pelos próprios feitos. O que antes era um relacionamento de amor esfriou, transformando-se em mera prática religiosa. A paixão por Ele se resumia a uma ortodoxia sem vida.
Rodeada pelo paganismo e por falsos mestres, a igreja de Éfeso teve inúmeras oportunidades para corrigir doutrinas errôneas e enfrentar ensinos heréticos. Mas se o fizessem por motivos que não fossem o amor por Cristo e o compromisso com a Sua verdade, perderiam o rumo. Em vez de seguir a Cristo com a mesma devoção com que antes o faziam, como uma noiva que acompanha seu noivo “pelo deserto”, os efésios corriam o risco de se afastarem completamente de Cristo. Por isso, Ele adverte aqueles que “têm ouvidos para ouvir” a demonstrar a realidade de sua salvação retornando a Ele e reacendendo o amor que começava a esfriar. Sem dúvida, havia entre os efésios alguns cuja profissão era falsa e cuja sensibilidade havia se embotado, mas Ele exorta os demais a não seguirem esse exemplo, antes a se arrependerem e a retornarem a Ele com a paixão que um dia tiveram.
Enfrentamos os mesmos desafios no século XXI. Poucas são as igrejas que não estão sujeitas a, e em risco de sofrer, algum grau de ensino enganoso. Contudo, Jesus nos chama a falar a verdade com amor e a não permitir que a frustração causada pelo ensino falso sufoque o amor de Cristo em nosso interior. Nosso primeiro amor é o amor que Cristo nos concede por Deus e pelos nossos semelhantes. Devemos ser zelosos pela verdade, mas esse zelo precisa ser moderado, para que, ao “falarmos a verdade com amor”, possamos crescer em tudo para Aquele que é a Cabeça, isto é, Cristo.






