Os cristãos são culpados de discurso de ódio?

Pergunta

Uma definição operacional para discurso de ódio é “discurso que tem a intenção de insultar, intimidar ou causar preconceito contra uma pessoa ou grupo de pessoas com base em sua raça, gênero, idade, orientação sexual, filiação política, profissão, deficiência ou aparência física”. Se essa for a definição aceita, um cristão jamais deveria participar de um discurso de ódio. Contudo, o problema é que essa definição vem se ampliando com o tempo. Proclamar que uma determinada crença está errada ou que uma determinada atividade é pecaminosa, com base em princípios bíblicos, tem sido cada vez mais incluído no conceito de discurso de ódio.

Resposta

Em Efésios 4:15 é destacado “falando a verdade em amor”. Em 1 Pedro 3:15, os cristãos são orientados a defender a fé “com mansidão e respeito”. Em Colossenses 4:6 é proclamado: “Que a vossa conversação seja sempre cheia de graça, temperada com sal”. Infelizmente, alguns cristãos não seguem essas instruções bíblicas. Há aqueles que, mesmo afirmando a verdade, o fazem de forma extremamente odiosa. Um exemplo emblemático é a Westboro Baptist Church e o seu slogan “[Deus odeia os gays]”. Embora essa igreja declare corretamente, segundo a Bíblia, que a homossexualidade é pecaminosa, o fazem de forma intencionalmente incendiária, ofensiva e dolorosa. É preciso deixar claro que a Bíblia não apoia nenhum método desse tipo.

É provável que, num futuro próximo, os governos passem a classificar mais manifestações como discurso de ódio, tornando-as ilegais. Em algumas partes do mundo, é proibido afirmar que a homossexualidade é pecado. Em certos países, é ilegal declarar que uma religião está certa enquanto outras estão erradas. Essa ampliação gradual da definição de discurso de ódio pode, eventualmente, fazer com que qualquer esforço evangélico seja rotulado como tal, visto que seria “odioso” dizer a alguém que sua crença atual está equivocada.

O que os defensores dessa definição ampliada de discurso de ódio deixam de perceber – ou admitir – é que dizer a verdade a alguém é um ato de amor, e não de ódio. Pergunte-se: é odioso para um professor dizer a um aluno que sua resposta está errada? É odioso para um inspetor de obras alertar uma construtora sobre uma fundação defeituosa? A resposta é claramente não. No entanto, essa lógica tem sido aplicada de forma incoerente nas legislações atuais sobre discurso de ódio. Dizer a alguém que suas convicções religiosas estão erradas ou que seu modo de vida é imoral não é, por si só, odioso. A verdadeira ofensa reside em recusar-se a dizer a verdade.

No GotQuestions.org, o objetivo é falar a verdade em amor. Não se trata de odiar muçulmanos, hindus, budistas, católicos, mórmons ou testemunhas de Jeová – mas de apontar o que se entende ser erros teológicos e bíblicos graves. Da mesma forma, não se trata de odiar homossexuais, adúlteros, pornógrafos, transexuais ou pessoas que se envolvem em relações sexuais fora do casamento; e sim de afirmar que tais comportamentos representam escolhas imorais e contrárias aos preceitos divinos. Informar alguém de que está enganado não é um ato de ódio – é o oposto. Considerar, de forma equivocada, que expressar a verdade com respeito configura discurso de ódio é, na verdade, uma demonstração extrema de ódio.

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