Pergunta
Por que Atos 9:7 diz que os que acompanhavam Paulo ouviram uma voz, enquanto Atos 22:9 afirma que eles não ouviram nenhuma voz?
Resposta
Ao relatar sua experiência de conversão a um público em Jerusalém, Paulo conta: “Os que estavam comigo viram de fato a luz e ficaram assustados; porém, não ouviram a voz daquele que lhes falava”. Por outro lado, Lucas, ao narrar o mesmo fato, descreve que “os homens que o acompanhavam ficaram sem palavras, ouvindo uma voz, mas sem ver ninguém”.
Como conciliar essas duas declarações? Paulo diz que “não ouviram a voz”, enquanto Lucas indica que ouviram “uma voz”.
Para entender essa aparente contradição, é importante observar que a palavra “voz” nesses versículos deriva do grego phone, que pode significar “som, tom, fala, voz ou som natural”. Devido a essa definição ampla, o contexto é determinante para escolher o significado mais adequado. Geralmente, phone refere-se à voz de Deus, de um ser humano ou de um anjo; contudo, também pode designar sons em geral – como o “som” do vento, por exemplo, ou o som de uma trombeta.
A flexibilidade de phone torna possível que se ouça algo sem que esse “algo” seja inteligível. No relato, Paulo ouviu a voz enquanto Jesus se comunicava diretamente com ele, e os homens que o acompanhavam perceberam o som de uma voz direcionada a Paulo, mas, para eles, tratava-se apenas de um barulho sem significado. Em outras palavras, eles de fato ouviram um som, mas como não compreenderam o conteúdo da mensagem, não puderam “ouvir” Jesus de forma plena.
Essa explicação esclarece a aparente contradição: os que estavam com Paulo viram a luz, mas não entenderam a voz que falava, enquanto ouviram o som sem ver ninguém. Embora esse detalhe represente uma dificuldade menor no processo de tradução, suas nuances são facilmente resolvidas e não comprometem nenhuma doutrina fundamental da fé.






