Por que há momentos na minha vida em que encontrar Deus é tão difícil?

Algumas das palavras mais promissoras e espetaculares já pronunciadas por Deus encontram-se no livro de Jeremias: “Você me buscará e me achará quando me buscar de todo o seu coração. Eu serei achado por você” (Jeremias 29:13–14). Em nossa busca por encontrar Deus, por vezes parece que Ele deseja nos lembrar dessa promessa extraordinária. Quando estamos profundamente perturbados, oramos com fervor; quando estamos aflitos, clamamos por alívio. Entretanto, às vezes o único som que recebemos em resposta é um silêncio tão ensurdecedor que abafa todos os pensamentos, exceto aquele: Deus não está ouvindo. Surge então a pergunta: “Deus me abandonou?”

Muitos crentes já sentiram que encontrar Deus é difícil ou até impossível. Após perder sua esposa para o câncer, C. S. Lewis clamou a Deus por conforto, mas não sentiu nenhuma resposta. Confuso, ele se perguntou: “O que isso pode significar? Por que Ele está tão presente como comandante em tempos de prosperidade e tão ausente como ajuda em momentos de dificuldade?”

As Escrituras registram os clamores de socorro daqueles que estão determinados a encontrar Deus: “Acaso o Senhor o rejeitará para sempre? Jamais manifestará seu favor novamente? Acabou o seu amor inabalável para sempre? A sua promessa falhou para toda a eternidade?”

Esse clamor do salmista reflete o coração de quem está focado em encontrar Deus: “Ó Deus, não te cales; não permaneças mudo, ó Deus, não fiques quieto.”

Por vezes, encontrar Deus parece difícil mesmo para aqueles que já têm um relacionamento com Ele. As mudanças na vida trazem incertezas – a perda de um emprego, um divórcio, uma promoção ou o nascimento de um filho. Alguns chegam a chamar essas mudanças inesperadas de “interrupções divinas”. Mesmo quando a mudança é positiva, ela pode abalar nosso senso de bem-estar e nos fazer sentir sós. A questão persiste: “Onde está Deus? Por que estou tendo tanta dificuldade em encontrá-Lo?”

É importante lembrar que, na busca por Deus, a promessa de Jeremias nunca é anulada pelos sentimentos subjetivos. Só porque sentimos que Deus está distante não significa que Ele realmente esteja. Afinal, Ele nos garantiu que jamais nos deixará ou abandonará (Hebreus 13:5). Como Deus jamais mente, rejeitamos conclusões equivocadas que contradigam o que sabemos pela Sua Palavra. Vivemos pela fé, e não pelo que vemos (2 Coríntios 5:7).

Para a chave de encontrar Deus, devemos voltar ao Salmo 77. Depois que o salmista lamentou que Deus o havia rejeitado e que Seu amor parecia ter desaparecido (versos 7–8), ele recupera as forças e escreve, nos versos 11–12, uma solução dupla para o sentimento de abandono divino: “Lembrarei os feitos do SENHOR; sim, recordarei as tuas maravilhas de outrora. Meditarei em todas as tuas obras e ponderarei sobre todos os teus atos poderosos.”

Primeiro, o salmista decide lembrar os feitos de Deus e os milagres operados por Ele. Apenas recordar como Deus nos salvou de uma existência sem sentido e de uma eternidade de condenação já nos proporciona uma perspectiva mais ampla sobre o Seu amor. Ao pensarmos nas inúmeras vezes em que Deus interveio em nossas vidas por meio de orações atendidas, somos lembrados de Sua fidelidade. Algumas pessoas acham útil manter um diário das respostas de Deus para consultar nos momentos de dúvida e incerteza.

Em segundo lugar, o salmista resolve meditar na Palavra de Deus para atingir seu objetivo de encontrá-Lo. Meditar na Palavra é a única forma segura de chegarmos a conclusões corretas sobre Deus. Os que são abençoados, conforme descrito no Salmo 1, são aqueles que meditam na lei divina – a Bíblia – dia e noite. A Palavra de Deus nos enche de alegria, fortalece nossa fé, nos torna frutíferos e nos capacita a enfrentar as tempestades da vida sem murcharmos. Negligenciar a Palavra é abrir espaço para as mentiras que o inimigo espalha, tentando nos convencer de que Deus nos abandonou.

Jeremias nos promete que, quando buscamos a Deus de todo o coração, Ele será encontrado. Como Paulo afirmou aos atenienses, Deus “não está distante de nenhum de nós. Pois, Nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:27–28). Ao embarcarmos nessa busca incessante para encontrar Deus a cada dia, relembramos e meditamos sobre Seus grandes feitos, acolhendo inclusive aquelas “interrupções divinas” que podem, na verdade, apontar para a fidelidade e o amor dele.

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