Por que os israelitas precisavam de maná se já tinham rebanhos de animais que podiam comer?

Por que os israelitas precisavam de maná se já tinham rebanhos e gado para comer?

Em Êxodo 9:1–7, a Bíblia relata que os filhos de Israel possuíam gado enquanto viviam como escravos no Egito. Em Êxodo 12:30–31, o faraó ordena a Moisés que deixasse o país, depois que a praga final atingiu o Egito e todos os primogênitos morreram. Inclusive, o faraó instruiu os israelitas a levarem tudo o que possuíam – incluindo seus rebanhos e gado –, para que nenhum vestígio ficasse para trás. Contudo, durante a jornada pelo deserto, eles se queixavam da falta de alimento, e Deus, com extrema graça, lhes forneceu maná, conforme descrito em Êxodo 16:1–5. Mas por que eles se consideravam “famintos” se possuíam tantos animais?

O fato é que a Bíblia não explica por que os israelitas não consumiram — ou não puderam consumir — os animais de seus rebanhos. No entanto, podemos ponderar algumas possíveis explicações, mesmo que as Escrituras permaneçam em silêncio sobre o assunto.

Influência egípcia: É possível que, após mais de 400 anos de cativeiro, os israelitas estivessem tão imersos nos costumes do Egito que adotaram práticas religiosas que envolviam a adoração de diversos animais, inclusive o gado. Pouco tempo depois do êxodo, os israelitas chegaram a adorar um bezerro de ouro, confeccionado por Arão, na ausência de Moisés. Talvez eles estivessem tão influenciados por essas práticas que não conseguiam se obrigar a comer animais que, para eles, tinham um significado sagrado.

Economia e subsistência: Outra possibilidade é que eles consideravam seus animais como a principal fonte de renda. Como pastores por tradição, ninguém desejaria consumir o que garantia seu sustento. Eles deviam estar preservando seus rebanhos para quando ingressassem na Terra Prometida, assegurando assim sua subsistência como pastores e criadores. Se consumissem esses animais, perderiam sua fonte de renda e se veriam em uma situação de extrema necessidade em seu novo lar.

Falta de variedade: Uma terceira hipótese é que os israelitas simplesmente estavam cansados de comer sempre a mesma coisa e desejavam alguma variação em sua alimentação. Mais do que a necessidade de carne, eles demonstravam uma falta de fé e contentamento, mostrando preferência por retornar ao Egito, onde já estavam “acostumados” a ser alimentados, conforme relatado em Números 11:4–6.

Independentemente da razão exata, o ponto essencial é que não faltava carne para os israelitas; faltava fé. Eles ansiavam por voltar ao Egito, mesmo tendo sido escravos, pois isso lhes garantia a segurança de saber de onde viria sua próxima refeição. Vale lembrar que o trajeto, que inicialmente seria de 10 dias, acabou se estendendo por 40 anos devido à sua rebeldia e desobediência (Números 14:26–35). Nenhuma quantidade de carne, rebanhos ou peixes seria capaz de satisfazer ou acalmar as queixas do povo.

A lição que extraímos desse episódio é que Deus é fiel e supre nossas necessidades, mesmo que a provisão não seja exatamente aquilo que desejamos ou que achamos que precisamos. Ele conhece nossas maiores necessidades e sabe o que nos sustentará e protegerá. Um exemplo disso é que, durante os 40 anos no deserto, as roupas e sapatos dos israelitas não se desgastaram, pois Deus cuidou disso (Deuteronômio 8:4; Neemias 9:21). O maná permanecia fresco enquanto o povo o recolhia conforme as instruções divinas, e água brotava de uma rocha para saciar a sede deles (Números 20:11). De forma similar, Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades por meio de Suas riquezas em Cristo Jesus (Filipenses 4:19). Não precisamos nos preocupar com o que iremos comer, pois Ele sabe do que precisamos antes mesmo de pedirmos; basta buscarmos o Seu reino e confiarmos em Sua fidelidade para prover o necessário (Mateus 6:33; Lucas 12:22–31).

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