Qual deve ser a ordem de prioridades em nossa família?
A Bíblia não apresenta uma ordem passo a passo para os relacionamentos familiares. No entanto, ao observarmos as Escrituras, conseguimos identificar princípios gerais para priorizar nossas relações familiares. Em primeiro lugar, Deus vem obviamente. Conforme está escrito em Deuteronômio 6:5 – “Amarás o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (ver também Mateus 22:34–40 e João 13:34–35) –, devemos dedicar todo o nosso ser a amá-Lo, fazendo dele nossa prioridade máxima. A participação na igreja e a frequência regular aos cultos são maneiras de demonstrarmos que Deus é o primeiro em nossas vidas (confira Hebreus 10:25).

Se você é casado, o cônjuge vem logo em seguida. O marido deve amar sua esposa como Cristo amou a igreja (Efésios 5:25). Assim como Cristo colocou a igreja em segundo lugar – após obedecer e glorificar o Pai –, o marido deve seguir o mesmo exemplo, colocando Deus em primeiro lugar e, na sequência, sua esposa. Da mesma forma, as esposas devem se submeter aos seus maridos “como ao Senhor” (Efésios 5:22), fazendo com que o marido ocupe o segundo lugar em suas prioridades.
Considerando que marido e mulher se tornam uma só carne (Efésios 5:31), é lógico que o resultado dessa união – os filhos – deva ocupar a próxima posição. Os pais são chamados a criar filhos piedosos, preparando a próxima geração que amará o Senhor com todo o coração (conforme Provérbios 22:6 e Efésios 6:4), reafirmando que Deus sempre vem em primeiro lugar. Todas as demais relações familiares devem estar em harmonia com essa ordem de prioridades.
Deuteronômio 5:16 nos ensina a honrar nossos pais para que possamos viver por muitos dias e desfrutar de uma vida próspera (veja também Efésios 6:1–4). Como não há limite de idade para honrá-los, concluímos que, enquanto nossos pais viverem, devemos respeitá-los. Embora, ao atingir a idade adulta, o dever de obediência possa ceder lugar à autonomia (“Filhos, obedeçam aos seus pais…”), o mandamento de honrá-los permanece. Dessa forma, após cuidar de Deus, do cônjuge e dos filhos, os pais devem ser nossa próxima prioridade. Em seguida, vem o restante da família, conforme ensina 1 Timóteo 5:8.
Logo após os familiares próximos, vêm os irmãos e irmãs na fé. Romanos 14 nos orienta a não julgar ou olhar com desdém para nossos irmãos (especialmente no versículo 10) e a evitar qualquer atitude que possa fazê-los tropeçar espiritualmente. Grande parte da primeira carta aos Coríntios contém as instruções de Paulo sobre como a igreja deve conviver em harmonia, demonstrando amor mútuo. Outras exortações para os irmãos em Cristo incluem: “servi-vos uns aos outros em amor” (Gálatas 5:13); “sede bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, assim como Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32); “encorajem-se e edifiquem-se uns aos outros” (1 Tessalonicenses 5:11); e “considerem como estimular uns aos outros ao amor e às boas obras” (Hebreus 10:24).
Por fim, temos o restante do mundo, para o qual é nosso dever levar o evangelho e formar discípulos de Cristo, conforme orienta Mateus 28:19.
Em conclusão, a ordem de prioridades segundo as Escrituras é: Deus, cônjuge, filhos, pais, família estendida, irmãos e irmãs em Cristo e, por último, o resto do mundo. Embora, às vezes, seja necessário tomar decisões que coloquem uma pessoa em destaque em detrimento de outra, o ideal é que nenhum relacionamento seja negligenciado. O equilíbrio bíblico consiste em permitir que Deus nos capacite a atender todas as nossas prioridades, tanto dentro quanto fora do ambiente familiar.






