Qual a diferença entre ordenanças e sacramentos?
No catolicismo romano, na ortodoxia oriental e em algumas denominações protestantes, o termo sacramento é utilizado para se referir a um rito pelo qual a graça de Deus é transmitida ao indivíduo. Muitas igrejas evangélicas, por sua vez, preferem o termo ordenança, que pode ser definido como uma “cerimônia ordenada por Deus”.
Um sacramento é frequentemente visto como um meio da graça divina – à medida que o fiel realiza um determinado rito, recebe a bênção de Deus, seja para salvação ou para santificação. Em contraste, uma ordenança geralmente não é considerada um canal pela graça, mas sim uma prática ordenada pelo Senhor. Em outras palavras, o sacramento envolve, em certo nível, uma ação sobrenatural de Deus, enquanto a ordenança é simplesmente um ato de obediência humana a Ele.
A complexidade aumenta pelo fato de que algumas igrejas enxergam as ordenanças como meios de graça, enquanto outras consideram os sacramentos como símbolos da realidade espiritual e não a realidade em si. Nesses casos, os termos ordenança e sacramento tornam-se virtualmente sinônimos.
A Igreja Católica Romana ensina que existem sete sacramentos: batismo, confirmação, santa comunhão, confissão, matrimônio, ordens sagradas e unção dos enfermos. Segundo a doutrina católica, esses sacramentos “são signos eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, pelos quais a vida divina nos é dispensada. Os ritos visíveis pelos quais os sacramentos são celebrados significam e tornam presentes as graças próprias de cada sacramento”. Além disso, a Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação. Esse ensinamento evidencia um sistema de salvação baseado em obras e uma abordagem sacerdotal ao culto.
A Bíblia, por outro lado, ensina que a graça não é transmitida por meio de símbolos externos e que nenhum ritual é “necessário para a salvação”. A graça é a bênção de Deus, concedida livremente aos indignos. “Mas, quando se manifestou a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não por obras de justiça que tivéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou, mediante o lavar regenerador e a renovação do Espírito Santo, que derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, tendo sido justificados pela sua graça, nos tornássemos herdeiros conforme a esperança da vida eterna” (Tito 3:4–7).
Protestantes e evangélicos rejeitam a noção de que os sacramentos possam oferecer salvação. Em vez disso, a maioria os vê como sinais e indicadores – e, por vezes, selos – da graça já concedida. Para evitar a impressão de que suas práticas religiosas são canais de graça, os evangélicos preferem chamá-los de “ordenanças”. Eles as encaram como reencenações simbólicas da mensagem do evangelho. Assim, longe de serem requisitos para a salvação, as ordenanças servem como auxílios visuais que nos ajudam a compreender e apreciar melhor o que Jesus Cristo realizou em sua obra redentora, constituindo um testemunho da nossa fé. As ordenanças são definidas pelo fato de terem sido instituídas por Cristo, ensinadas pelos apóstolos e praticadas pela igreja primitiva. O batismo e a comunhão (ou ceia do Senhor) são os dois ritos que a maioria dos evangélicos considera ordenanças, e nenhum deles é exigido para a salvação. O suporte bíblico para o batismo é encontrado em Mateus 28:18–20, e para a comunhão, em Lucas 22:19.






