Um dos “festivais ordenados pelo SENHOR” dados a Israel na Bíblia Hebraica (Antigo Testamento) é conhecido hoje como Rosh Hashanah, que literalmente significa “Cabeça do Ano”. Na Torá, a Lei Judaica encontrada nos cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica, lemos: “E o SENHOR falou a Moisés, dizendo: ‘Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: No sétimo mês, no primeiro dia do mês, honrarão um dia de repouso solene, uma recordação proclamada com o som das trombetas, uma santa convocação. Não executarão trabalho comum, e oferecerão uma oferta de alimento ao SENHOR’” (Levítico 23:23–25).
Rosh Hashanah, ou o Ano Novo Judaico, também é conhecido como Yom Teruah ou o Dia das Trombetas. A palavra teruah significa “gritar ou fazer barulho”, razão pela qual este feriado é marcado pelo sopro do shofar, o chifre de carneiro, nas sinagogas judaicas pelo mundo. Rosh Hashanah ocorre no primeiro dia do mês hebraico de Tishri, no calendário judaico, que geralmente corresponde a setembro ou outubro, e sempre cai na sétima lua nova do ano judaico. Após a destruição do templo judaico em Jerusalém, em 70 d.C., mesmo que este dia festivo esteja situado no sétimo mês do calendário religioso judaico, passou a ser chamado de Rosh Hashanah e se tornou o início do calendário civil judaico.
Rosh Hashanah inaugura um período de dez dias que culmina no dia mais sagrado do calendário judaico, o Yom Kippur, o Dia da Expiação. Esses dez dias são conhecidos como yomim nora’im, ou Dias de Temor, no judaísmo moderno. O som do shofar em Rosh Hashanah funciona como um alerta e um lembrete contundente de que o Dia da Expiação se aproxima. Este chamado convida à teshuvá, o arrependimento e o retorno ao SENHOR, incentivando um período de intensa introspecção, autoavaliação e reconciliação, para reparar os danos cometidos no ano que passou. Assim, o tema central de Rosh Hashanah é o arrependimento.
Durante Rosh Hashanah, é comum cumprimentar com a bênção “Que o seu nome seja inscrito”, expressando o desejo de que o nome da pessoa seja registrado no Livro da Vida. Os judeus costumam saborear doces neste feriado, como maçãs, mel, passas, figos e romãs. Comer alimentos doces simboliza o anseio por um ano “doce” e a ideia de que os prazeres podem amenizar a tristeza associada ao arrependimento. Ao consumir romãs, alguns celebrantes manifestam o desejo de que suas boas ações sejam tão numerosas quanto as sementes desta fruta, enquanto outros comem partes da cabeça de um peixe ou de uma ovelha, simbolizando o desejo de ser “a cabeça, e não a cauda” (Deuteronômio 28:13).
De acordo com a tradição rabínica, em Rosh Hashanah o destino dos justos e dos ímpios é selado. Os justos são registrados no Livro da Vida e os ímpios, no Livro da Morte, enquanto a maioria das pessoas não terá seu nome escrito em nenhum dos dois. Estes últimos recebem os dez dias que antecedem o Yom Kippur para exercer arrependimento e autoexame, definindo, assim, seu destino, que será selado no Dia da Expiação.
Assim como todos os dias ordenados pelo SENHOR na Bíblia Hebraica, Rosh Hashanah aponta para uma realidade ainda maior para os cristãos. Para aqueles que depositam sua fé no Messias judeu, Jesus, o verdadeiro significado do chamado ao arrependimento e da busca de um coração voltado para Deus se torna claro. A Bíblia ensina que Deus realmente possui um Livro da Vida e um Livro da Morte, e adverte que, no Dia do Julgamento – que ainda virá –, o nome de quem não estiver inscrito no Livro da Vida será destinado ao lago de fogo para a eternidade (Apocalipse 20:15).
Para os que confiam no trabalho redentor de Jesus por meio de sua vida, morte, sepultamento e ressurreição (2 Coríntios 5:21), seus nomes já estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro. Assim, os cristãos aguardam com expectativa o chamado semelhante ao som da trombeta, conforme descrito: “Porque o próprio Senhor descerá do céu com brados de comando, com a voz do arcanjo e com a trombeta de Deus. Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos e permanecermos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, confortem-se uns aos outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4:16–18).






