Quando e como Nínive foi destruída?
Nínive, a capital da Assíria, foi destruída em 612 a.C. pelos medos. Isso cumpriu a predição do profeta Naum de que Deus destruiria completamente a cidade (Naum 1). Vários fatores se combinam para determinar tanto a data quanto a maneira da destruição de Nínive.
Durante os dias do profeta Jonas, Nínive foi poupada pela compaixão de Deus em resposta ao arrependimento do seu povo (Jonas 3). Esse episódio ocorreu em 760 a.C.
O livro de Naum foi escrito após a destruição da cidade egípcia de Tebas (Naum 3:8). Esse evento aconteceu em 663 a.C., quando Tebas foi conquistada pelo rei assírio Assurbanipal. Portanto, Nínive ainda se encontrava em pé naquela época. Há evidências de que Naum escreveu logo após a destruição de Tebas, uma vez que Judá ainda estava sob o controle assírio durante o tempo em que ele viveu. Essa situação persistia durante o reinado de Manassés (697-642 a.C.), mas não durante o de Josias (640-609 a.C.). Além disso, a cidade de Tebas ressurgiu como potência em 654 a.C., o que indica que Naum provavelmente escreveu antes dessa data. Assim, Naum pode ser datado entre 663 e 654 a.C., e Nínive teve de ser destruída depois de 654 a.C., mas o mais tardar em 612 a.C., quando os medos são mencionados como os conquistadores da cidade.
Um relato antigo, conhecido como The Fall of Nineveh Chronicle, oferece um documento extrabíblico dessa época, apresentando um testemunho da destruição que se seguiu. A tradução (com parte do texto faltando) diz o seguinte:
“O rei de Acade reuniu seu exército e marchou em direção à Assíria. O rei dos medos marchou em direção ao rei de Acade e eles se encontraram em […]. O rei de Acade e seu exército cruzaram o Tigre; Ciaxares teve que cruzar o Radanu, e marcharam ao longo das margens do Tigre. No mês de Simanu [Maio/Junho], no enésimo dia, acamparam contra Nínive.
“Do mês de Simanu até o mês de Âbu [Julho/Agosto – durante três meses], sujeitaram a cidade a um cerco pesado. No enésimo dia do mês de Âbu, infligiram uma grande derrota a um povo considerável. Naquela ocasião, Sin-šar-iškun, rei da Assíria, morreu. Levantaram um vasto espólio da cidade e do templo, reduzindo a cidade a um monte de ruínas. O […] da Assíria escapou do inimigo e, para salvar sua vida, agarrou os pés do rei de Acade.
“No vigésimo dia do mês de Ulûlu [14 de setembro de 612], Ciaxares e seu exército retornaram para casa.”
Com base nesse relato, fica claro que o cerco a Nínive foi realizado pelo rei de Acade e pelo rei dos medos durante o verão de 612 a.C. Três meses depois, a cidade caiu. O rei assírio morreu e Nínive foi saqueada até 14 de setembro, quando o exército invasor se retirou. Em 605 a.C., o Reino Assírio chegou oficialmente ao fim, e a Babilônia começou a ascender ao poder.
Apesar do grande poder de Nínive, a cidade caiu exatamente como Naum havia profetizado. Só no século XIX os arqueólogos iniciaram escavações em partes da antiga cidade, revelando que Nínive havia, de fato, permanecido “escondida”, conforme predito por Naum (Naum 3:11).






