Quem foi Asherah?

Asherah era o nome da principal deidade feminina adorada na antiga Síria, Fenícia e Canaã. Os fenícios a chamavam de Astarte, os assírios a a veneravam como Ishtar, e os filisteus mantinham um templo dedicado a Asherah. Devido à conquista incompleta da terra de Canaã por Israel, o culto a Asherah sobreviveu e assolou o povo israelita logo após a morte de Josué.

Asherah era representada por um tronco de árvore sem galhos plantado no solo, geralmente esculpido numa representação simbólica da deusa. Por conta dessa associação com árvores esculpidas, os locais de culto a Asherah eram comumente chamados de “bosques”, e a palavra hebraica asherah (plural, asherim) podia referir-se tanto à deusa quanto ao bosque de árvores. Um dos atos perversos do rei Manassés foi pegar o poste esculpido de Asherah que ele havia feito e colocá-lo no templo. Em outras traduções, o termo é interpretado como “imagem esculpida do bosque”.

Considerada a deusa da lua e da fertilidade, Asherah era frequentemente apresentada como consorte de Baal, o deus do sol. Além disso, ela também era adorada como deusa do amor e da guerra, chegando, em alguns casos, a ser associada a Anate, outra deusa cananeia. Na teologia de Canaã, Asherah também tinha uma relação intimamente ligada com Ashtoreth, já que ambos os nomes possuem origem comum. Segundo a International Bible Encyclopedia, o nome Asherah era “originalmente um epíteto de Ishtar (Ashtoreth) de Nínive. No Ocidente, entretanto, Asherah e Ashtoreth passaram a ser distinguidas, sendo Asherah exclusivamente a deusa da fertilidade, enquanto Ashtoreth assumia a condição de deusa da lua.” Dessa forma, tanto Asherah quanto Ashtoreth parecem ter sido consortes de Baal.

Alguns estudiosos diferenciam as referências bíblicas afirmando que Ashtoreth é o nome próprio da deusa, enquanto Asherah designa a sua imagem, isto é, o tronco ou poste de árvore erigido em sua homenagem. Segundo essa teoria, quando o rei Josias derrubou “os asherim”, estaria destruindo os bosques que Salomão havia construído para Ashtoreth, considerada uma abominação pelos sidônios.

O culto a Asherah era marcado por sua sensualidade e incluía a prática da prostituição ritual, além de envolver sacerdotes e sacerdotisas que se dedicavam à adivinhação e à previsão do futuro.

O Senhor Deus, por meio de Moisés, proibiu o culto a Asherah, determinando que um bosque de árvores não deveria ser instalado nas proximidades do altar do Senhor. Apesar das claras instruções divinas, o culto a Asherah permaneceu como um problema constante em Israel. Em um período particularmente crítico, a rainha Jezabel, de origem fenícia, incentivou fortemente o culto, mantendo inclusive 400 profetas de Asherah na folha de pagamento da realeza. Em outras ocasiões, Israel vivenciou momentos de renovação espiritual, nos quais notáveis campanhas contra o culto a Asherah foram lideradas por figuras como Gideão, o rei Asa e o rei Josias.

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