Quem foi Beelzebub?
Beelzebub é a forma grega do nome Baal-zebub, um deus filisteu pagão adorado na antiga cidade de Ekron durante os tempos do Antigo Testamento. O termo significa “senhor das moscas”. Escavações arqueológicas em sítios antigos filisteus revelaram imagens douradas de moscas. Após o período dos filisteus, os judeus modificaram o nome para “Beelzeboul”, como aparece no Novo Testamento grego, significando “senhor do esterco”. Esse nome fazia referência ao deus da mosca, cultuado para se obter alívio dos prejuízos causados por esse inseto. Alguns estudiosos bíblicos afirmam que Beelzebub também era conhecido como o “deus da imundície”, tornando-se, assim, um nome usado com desprezo pelos fariseus. Por isso, o nome passou a ser usado pelos judeus como epíteto para Satanás.
A palavra é composta por duas partes: Baal, que era o nome dado aos deuses cananeus da fertilidade no Antigo Testamento, e Zebul, que significa “morada exaltada”. Ao combiná-las, forma-se um nome atribuído ao próprio Satanás, o príncipe dos demônios. Esse termo foi empregado pela primeira vez pelos fariseus para descrever Jesus, que anteriormente fora acusado de expulsar demônios “pelo príncipe dos demônios”, fazendo referência a Beelzebub.
Em um episódio em que Jesus curou um homem possuído por demônios, que estava cego e mudo, a multidão ficou maravilhada, questionando se aquele seria o Filho de Davi. Quando os fariseus souberam do feito, negaram que tal milagre pudesse ser uma obra de Deus e afirmaram que era apenas por meio de Beelzebub, o príncipe dos demônios, que Jesus expelia os demônios.
É notável que os fariseus reagiram a esse milagre incrível realizado por Jesus de forma totalmente oposta à reação da multidão, que reconheceu que Jesus vinha de Deus. Na verdade, essa reação foi uma indireta admissão, pois demonstrava que Jesus operava milagres e realizava feitos além das capacidades humanas, mas os fariseus preferiram atribuir tal poder a Beelzebub, em vez de reconhecer a ação divina. Eles deveriam saber que o diabo não é capaz de produzir obras de pura bondade. No entanto, imersos em seu orgulho, os fariseus temiam que os ensinamentos de Jesus pudessem pôr fim à sua influência sobre o povo e, por isso, atribuíam seus milagres a um poder infernal.
A questão que se coloca para nós, cristãos, hoje é: qual a relevância dessa narrativa? Em um trecho onde Jesus envia seus apóstolos para pregar o evangelho, ele revela a essência do que significa ser seu discípulo, dando instruções claras sobre o que fazer e o que evitar. Jesus os alerta de que seriam entregues aos sinédrios locais, açoitados em sinagogas e odiados por todos por causa dele. Em seguida, acrescenta: “Um discípulo não está acima do seu mestre, nem um servo acima do seu senhor. Basta que o discípulo seja como seu mestre, e o servo, como seu senhor. Se o chefe da casa foi chamado de Beelzebub, quanto mais os membros de sua família!”
O ensinamento de Jesus nos mostra que, se em sua época as pessoas passaram a chamá-lo de Satanás, certamente os discípulos seriam rotulados da mesma forma. Em outro ensinamento, Jesus enfatiza que, se o mundo o odiava, deveria lembrar que primeiro o odiou a ele; e, por não pertencer ao mundo, foi escolhido dele. Portanto, os discípulos também seriam perseguidos por causa do nome de Jesus, pois quem os tratasse assim o faria por não conhecer aquele que o enviou.






