Quem foi Nero?

Quem foi Nero?

Nascido como Lucius Domitius Ahenobarbus em dezembro do ano 37 d.C., Nero se tornou o quinto imperador de Roma. Juntamente com os quatro primeiros imperadores de Roma—Augustus, Tiberius, Caligula e Claudius—Nero fez parte do que é conhecido como a dinastia Júlio-Claudiana. Adotado por seu tio-avô Claudius para ser seu sucessor, Nero assumiu o trono com apenas 16 anos, após a morte de Claudius em 54 d.C., e governou por quase quatorze anos, até cometer suicídio aos 30 anos em 68 d.C.

Nero assumiu o trono cerca de duas décadas após a crucificação de Cristo. Embora o cristianismo ainda estivesse em seus estágios iniciais, ele se espalhava rapidamente. De fato, aproximadamente quatorze dos vinte e sete livros do Novo Testamento foram escritos, total ou parcialmente, durante o governo de Nero. Também durante seu reinado, o apóstolo Paulo foi confinado à prisão domiciliar em Roma (60–63 d.C.), onde escreveu as epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Nero foi o imperador a quem Paulo apelou por justiça durante seu julgamento em Cesareia (Atos 25:10–12).

Os primeiros anos do governo de Nero foram marcados pelo fortalecimento da vida cultural do Império Romano. Sob a orientação de seus conselheiros—principalmente o Prefeito da Pretória Burrus e o renomado filósofo romano Sêneca—Roma manteve um governo estável durante esse período inicial. Amante das artes, Nero era também cantor e músico habilidoso. Além disso, apreciava competições esportivas e participava de muitas corridas de quadrigas, chegando até mesmo a vencer uma prova nos Jogos Olímpicos na Grécia.

O legado de Nero, entretanto, não é positivo. Embora seu regime tenha começado com certa moderação e idealismo, terminou marcado pela crueldade e tirania. Ele passou a eliminar qualquer um que se interpusesse em seu caminho; entre suas vítimas estavam sua própria esposa, sua mãe e até seu meio-irmão Britannicus, filho biológico do imperador Claudius. Em julho de 64 d.C., ocorreu o Grande Incêndio de Roma, que se estendeu por seis dias, devastando todas, exceto três, as quatorze regiões da cidade. Alguns historiadores suspeitam que Nero possa ter sido o responsável pelo incêndio, embora sua participação não esteja clara. O que se sabe é que o imperador desviou a culpa para os cristãos, muitos dos quais foram torturados e mortos. O historiador Tácito descreve essas atrocidades: “Cobertos com peles de animais, [os cristãos] eram dilacerados por cães e pereciam, ou eram pregados em cruzes, ou eram condenados às chamas e queimados, servindo de iluminação noturna quando o dia se encerrava.” O uso de cristãos como tochas humanas para iluminar seus animados jantares noturnos é bem documentado, fazendo com que a brutalidade infligida aos primeiros cristãos seja a marca mais lembrada do reinado de Nero.

O final do governo de Nero foi repleto de conflitos. As tensões entre os líderes romanos tornaram-se tão intensas que a Guarda Pretoriana transferiu sua lealdade de Nero para Galba, levando o Senado a declarar Nero inimigo público. Forçado a fugir de Roma, ele acabou tirando a própria vida. Sem deixar herdeiro para sucedê-lo, Nero foi o último representante da dinastia Júlio-Claudiana. Sua morte foi seguida por um breve período de guerra civil, que logo deu lugar à ascensão e queda de quatro imperadores em um único ano, um período caótico conhecido na história romana como “O Ano dos Quatro Imperadores”.

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