O ensino sobre o dízimo em Malaquias 3:9-10 se aplica a nós hoje?
Malaquias 3:9-10 é frequentemente citado para ensinar que os cristãos devem dar o dízimo às igrejas locais. O trecho em questão afirma que, ao reterem o dízimo, o povo estava, na verdade, roubando o Senhor. Em seu contexto original, o tema abordava os israelitas que não traziam suas ofertas ao templo, o que os havia levado a sofrer um julgamento na forma de uma colheita reduzida. Deus os desafiou a trazer o “dízimo completo” dos sacrifícios de grãos, prometendo, assim, abençoá-los com uma colheita abundante, evidenciada pelo armazenamento dos grãos no templo.
Entretanto, esse comando de dar o dízimo estava inserido no culto do templo, quando Malaquias escreveu, mais de 400 anos antes do surgimento da primeira igreja em Jerusalém. A aplicação desse mandamento ao contexto da igreja local atual retira esses versículos de seu significado original.
No Antigo Testamento, o dízimo, ou um décimo, era uma prática estabelecida desde os tempos de Abraão e fazia parte da lei mosaica, servindo para sustentar os levitas e os cuidados do templo. Jesus, ao repreender os fariseus, destacou que, embora eles observassem minuciosamente o ato de dizimar, negligenciavam aspectos maiores como a justiça e o amor de Deus. Ele indicou que ambos—o cuidado com os detalhes da lei e os princípios maiores—eram importantes.
No Novo Testamento, a ênfase está no ato de dar de forma voluntária, para suprir as necessidades dos outros, apoiar os trabalhadores cristãos e impulsionar o ministério do Evangelho. A igreja primitiva não estipulou um percentual fixo para as ofertas. Ainda que muitos vejam o dízimo, ou 10% dos recursos, como um padrão, ficou claro que o foco não estava em cumprir uma regra numérica, mas em atender às necessidades da comunidade. Em diversas ocasiões, os crentes chegaram a doar valores muito acima da quantia de um décimo, inclusive vendendo bens para suprir as demandas existentes.





