Não há uma resposta bíblica definitiva à questão de se os cristãos devem usar maconha medicinal, pois a maconha para uso medicinal não é abordada na Bíblia. Embora possa haver benefícios médicos no uso de produtos da cannabis que não sejam fumados, como óleos, comestíveis e tinturas, este artigo trata especificamente do ato de fumar a substância.
Primeiramente, mesmo que muitos estados tenham legalizado a maconha medicinal, seu uso continua ilegal segundo a lei federal. Paulo nos exorta a obedecer às leis do país, afirmando que “todos devem se submeter às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus. As autoridades existentes foram estabelecidas por Deus. Consequentemente, aquele que se rebela contra a autoridade está se rebelando contra o que Deus instituiu, e aqueles que fazem isso trarão o próprio juízo” (Romanos 13:1-2).
Além de ser ilegal, fumar maconha pode ser extremamente prejudicial à saúde. O argumento mais forte contra seu uso no tratamento de doenças é que ela pode acelerar ou agravar os próprios distúrbios que se pretende tratar. Fumar maconha regularmente (por exemplo, um baseado por dia) pode danificar as células das vias respiratórias – responsáveis por proteger o corpo contra micro-organismos inalados – e reduzir a capacidade das células imunes dos pulmões de combater fungos, bactérias e células tumorais. Para pacientes com sistema imunológico já fragilizado, isso aumenta o risco de infecções pulmonares perigosas, como a pneumonia, que frequentemente se mostra fatal em indivíduos com AIDS. O uso da maconha como terapia pode ter efeitos extremamente negativos em pacientes com déficits imunológicos decorrentes de AIDS, transplantes de órgãos ou quimioterapia contra o câncer, _as mesmas condições para as quais seu uso é comumente sugerido_.
Estudos indicam que o risco de infarto em usuários de maconha pode mais que quadruplicar na primeira hora após o consumo, possivelmente devido a alterações na pressão arterial, frequência cardíaca e redução na capacidade do sangue de transportar oxigênio. Ademais, a fumaça da cannabis – planta da qual se extrai a maconha – contém compostos que podem danificar o DNA e aumentar o risco de câncer, de maneira semelhante à fumaça do tabaco. Pesquisadores encontraram certos carcinógenos na fumaça da cannabis em quantidades até 50% maiores do que aquelas encontradas na fumaça do tabaco, e observaram que fumantes de cannabis tendem a inalar mais profundamente do que fumantes de cigarros. Fumar três a quatro cigarros de maconha diariamente pode causar danos às membranas mucosas dos brônquios semelhantes aos provocados por vinte ou mais cigarros de tabaco por dia. Além disso, a maconha pode causar perda de memória a curto prazo, percepção distorcida, dificuldade de raciocínio e resolução de problemas, diminuição da coordenação motora, redução da força muscular, aumento da frequência cardíaca e ansiedade. Segundo informações da Mayo Clinic, a fumaça da maconha contém de 50 a 70% mais hidrocarbonetos cancerígenos do que a fumaça do tabaco, tendo potencial para causar câncer de pulmão e no trato respiratório. Isso contraria claramente o mandamento bíblico de manter nossos corpos puros, conforme em “Ou vocês não sabem que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vocês e que lhes foi dado por Deus? Vocês não são de si mesmos; foram comprados por alto preço. Portanto, honrem a Deus com o vosso corpo” (1 Coríntios 6:19-20).
Em resumo, apesar de ainda haver muitas pesquisas nesta área, diversos estudos apontam efeitos seriamente deletérios da maconha para o organismo. Seu efeito no controle da dor, aproximadamente equivalente ao da codeína segundo a DEA, é potencializado pela sensação de euforia que ocorre quando a substância entra na corrente sanguínea. Contudo, a maconha não é uma panaceia. Estudos recentes mostram que doses elevadas podem até aumentar a dor, observando-se uma janela terapêutica na qual doses baixas são ineficazes, doses moderadas produzem alívio e doses altas _agravam_ a dor. Além disso, foi constatada uma correlação significativa entre o uso crescente da maconha e o aumento da sonolência, perda do controle sobre pensamentos e ações e episódios transitórios de depressão e paranoia.
A Bíblia ensina os cristãos a manterem a mente sã: “Sede sóbrios e vigilantes, porque o diabo, vosso adversário, anda em redor, como leão que ruge, procurando a quem devorar” (1 Pedro 5:8). A palavra grega traduzida como “sóbrios” (nepho) significa literalmente “não bebais vinho”, ampliando seu sentido para autocontrole, clareza mental e serenidade. Dessa passagem, infere-se que os cristãos devem evitar qualquer substância que prejudique o julgamento claro, e a maconha, de fato, parece turvar o pensamento e o tempo de reação. Estudos indicam que usuários diários têm um risco 30% maior de acidentes e lesões; pesquisas em salas de emergência apontam que uma parcela significativa dos pacientes está sob influência da substância, e há evidências de que dirigir após o uso quase duplica o risco de acidentes fatais.
O comprometimento do pensamento pode levar, ainda, a escolhas morais questionáveis. Habacuque adverte: “Ai de vós que fazeis seu vizinho beber, misturando veneno para deixá-lo embriagar e, assim, expor sua nudez!” (Habacuque 2:15). Tal prática remete à antiga costura de acrescentar ervas ou drogas ao vinho para intensificar seu efeito intoxicante. Os cristãos já enfrentam desafios suficientes para resistir às tentações sem facilitar o trabalho de Satanás ao consumir substâncias que comprometem o julgamento e o autocontrole. Historicamente, o uso de intoxicantes tem sido associado à feitiçaria e à magia, conforme a palavra grega pharmakeia – “administrar drogas”. Nos tempos bíblicos, os pagãos usavam essas práticas para induzir estados alterados de consciência e, assim, se comunicarem com seus deuses, de forma semelhante ao vodu atual. Os apóstolos condenavam veementemente tais práticas, pois as drogas reduziam inibições e comprometiam o autocontrole, enquanto os cristãos disciplinam seus corpos para manter o foco nas coisas celestiais (1 Coríntios 9:27; Colossenses 3:2).
Também é importante considerar o impacto que o uso da maconha pode ter sobre terceiros. Uma pessoa que fuma pode incentivar outra, que talvez não tenha real necessidade médica, a fazer o mesmo. Basta observar o caso da Califórnia, onde a Proposição 215, aprovada em 1996, tinha como alvo californianos “gravemente doentes”, mas os dados das autoridades policiais indicam que o uso da maconha por jovens e adultos saudáveis atingiu níveis epidêmicos. Há relatos de policiais encontrando indivíduos em liberdade condicional, em regime de fiança e até membros de gangues com a droga e seus acessórios, além de casos de crianças portando recomendações médicas e fazendo uso rotineiro do produto. Uma consequência não intencional da maconha medicinal é, portanto, a sua promoção entre pessoas sem justificativa médica. Como cristãos, somos chamados a evitar não apenas o pecado, mas também qualquer ato que possa fazer com que nossos irmãos e irmãs em Cristo se desviem (1 Coríntios 8:9-13).
Por fim, Satanás é o grande justificador, sempre tentando nos fazer racionalizar e justificar o pecado contra Deus, tornando-o aparentemente aceitável. Os mesmos artifícios utilizados para tirar versículos de contexto e fazer interpretações equivocadas da Palavra – para justificar comportamentos pecaminosos – podem ser empregados para defender o uso da maconha. É fundamental recordar que Satanás é mentiroso e estar alerta contra essas estratégias. Atualmente, mais de 90% da maconha consumida neste país é destinada ao uso recreativo; mesmo que muitos possuam carteiras de maconha medicinal, em muitos casos a prescrição é realizada por profissionais vinculados a dispensários, que nunca examinaram o paciente, não possuem qualificação para tratar as condições em questão e não validaram a real necessidade médica. Embora muitos possam se enganar com essas práticas, Deus não se deixa enganar e “não será zombado” (Gálatas 6:7).






