O que a Bíblia diz sobre controle de natalidade/contraceptivos? Devem os cristãos usar controle de natalidade?

O que a Bíblia diz sobre controle de natalidade e contraceptivos?

Os métodos modernos de controle de natalidade eram desconhecidos nos tempos bíblicos e, por isso, a Bíblia permanece silenciosa quanto ao assunto. No entanto, ela tem muito a dizer sobre as crianças. Segundo as Escrituras, os filhos são apresentados como um presente de Deus, uma herança do Senhor, uma bênção divina e até uma coroa para aqueles que já envelheceram. Existe também a ideia de que Deus abençoa as mulheres inférteis com filhos e forma as crianças desde o ventre materno, conhecendo-as antes mesmo do nascimento.

A passagem mais próxima de uma condenação ao controle de natalidade encontra-se em Gênesis, no relato dos filhos de Judá, Er e Onã. Er casou-se com Tamar, mas, por ser ímpio, foi morto por Deus, deixando Tamar sem marido e sem filhos. De acordo com a lei do levirato, Tamar foi dada em casamento ao irmão de Er, Onã. Este, contudo, não queria compartilhar sua herança com o filho que pudesse gerar em favor de seu irmão, praticando assim a forma mais antiga de controle de natalidade: o método do coito interrompido. O relato enfatiza que a ação de Onan foi considerada perversa aos olhos do Senhor, não pelo método em si, mas pelo motivo egoísta que o levou a agir dessa forma.

Em essência, a contracepção é simplesmente o oposto da concepção, e não é o ato de evitar a gravidez que é certo ou errado, mas as motivações subjacentes a essa escolha. Casais podem optar pelo uso de métodos contraceptivos por diversas razões – alguns desejam adiar a paternidade ou maternidade até se sentirem mais preparados para cuidar de uma criança, enquanto outros podem sentir que o serviço a Deus requer um adiamento desse desejo, ou ainda acreditar que Deus tem um plano distinto para suas vidas.

A dificuldade de não poder ter filhos quando são desejados sempre foi retratada de forma negativa nas Escrituras, especialmente diante do estigma cultural que a infertilidade carregava na época. Em nenhum momento a Bíblia aponta o desejo de não ter filhos. Da mesma forma, também não é possível argumentar com base nas Escrituras que seja errado utilizar o controle de natalidade de forma temporária ou mesmo permanente. Cada casal deve buscar a orientação do Senhor para definir o momento ideal de ter filhos e a quantidade que deseja ter.

Em resumo, ninguém tem o direito de decidir se outra pessoa deve ou não recorrer ao uso de métodos contraceptivos, definir qual seria o “número ideal” de filhos ou determinar se alguém deve ter filhos. Assim como em todas as áreas da vida, não devemos julgar nem fazer com que nossos irmãos e irmãs em Cristo tropecem espiritualmente.

Os princípios expostos aqui se aplicam de forma geral aos diversos métodos de controle de natalidade, incluindo o uso de preservativos, diafragmas, espermicidas, dispositivos intrauterinos e o método do coito interrompido. Vale ressaltar que os contraceptivos orais de baixa dosagem e os dispositivos intrauterinos podem impedir a implantação de um óvulo fertilizado, possuindo, assim, efeitos abortivos.

Deixe um comentário