O que a Bíblia diz sobre distúrbios alimentares (ex.: anorexia, bulimia)?
Pergunta
O que a Bíblia diz sobre distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia?
Resposta
Os distúrbios alimentares podem ser um tema difícil de se discutir, pois os que sofrem e suas famílias costumam carregar uma grande vergonha, além de os tratamentos não serem simples. Infelizmente, esses distúrbios não são incomuns na cultura ocidental. Psicólogos e outros profissionais reconhecem três distúrbios alimentares distintos, além de padrões alimentares desordenados que não se encaixam exatamente em uma dessas categorias.
A anorexia nervosa é caracterizada por uma pessoa que não mantém um peso normal (85% ou menos do peso considerado normal para alguém da mesma idade e altura), tem medo de ganhar peso e possui uma imagem distorcida de seu próprio corpo, frequentemente acreditando estar acima do peso ou subestimando a seriedade de seu baixo peso corporal. Essas pessoas mantêm seu peso reduzido restrigindo a alimentação ou, por vezes, por meio de comportamentos de compulsão seguidos de purgação.
A bulimia nervosa é marcada por episódios recorrentes de compulsão alimentar – onde o indivíduo ingere uma quantidade anormal de alimentos em um curto período e sente falta de controle – seguidos de purgação, seja por meio de vômitos, uso de laxantes ou até mesmo exercícios físicos em excesso. A autoavaliação dos indivíduos com bulimia nervosa depende fortemente da forma e do peso do corpo, embora a maioria esteja dentro de uma faixa de peso considerada normal, ligeiramente acima ou abaixo do esperado.
O transtorno de compulsão alimentar, recentemente classificado, consiste essencialmente em episódios de compulsão sem os comportamentos compensatórios ou de purgação. Já a prática de comer em excesso ou a dependência de comida não é classificada especificamente como um distúrbio alimentar, embora represente um padrão desordenado e frequentemente esteja associada a pensamentos obsessivos sobre alimentos. Alguns consideram a gula um distúrbio alimentar, mas este artigo não aborda essa questão.
Enquetes apontam números variados, mas pelo menos 1 em cada 10 mulheres já experienciou algum distúrbio alimentar ao longo da vida, e alguns estudos sugerem que esse número pode chegar a 1 em cada 4. Importante notar que os distúrbios alimentares não afetam apenas as mulheres, pois aproximadamente 10% dos casos ocorrem em homens.
As causas dos distúrbios alimentares são diversas: desequilíbrios químicos, fatores genéticos, estresse, ansiedade, dificuldade em expressar emoções de forma produtiva, desejo de controle, traços de personalidade perfeccionistas ou obsessivo-compulsivos, influência da mídia e relacionamentos disfuncionais. Frequentemente, as pessoas que enfrentam esses distúrbios também lutam contra a depressão e têm uma visão extremamente negativa de si mesmas. Esse ódio próprio, a busca por uma perfeição inatingível ou a necessidade de controlar o próprio ambiente podem ser destrutivos para a saúde do corpo e da mente, afetando não apenas o indivíduo, mas também sua família.
De acordo com a fé cristã, os distúrbios alimentares não fazem parte do plano de Deus para nós. Comportamentos como compulsão, purgação e jejum extremo não representam a maneira de cuidar do corpo que Deus nos propõe (Salmo 139; 1 Coríntios 6:19–20; Romanos 14:7–8). Não importa se as causas são anomalias biológicas, adaptações emocionais equivocadas, visões distorcidas de valor pessoal, feridas provocadas por outras pessoas ou outros gatilhos, Deus não deseja que a pessoa permaneça num ciclo de comportamentos alimentares desordenados.
A luta contra os distúrbios alimentares vai além do aspecto físico – ela é também mental e espiritual. Médicos, conselheiros cristãos e pastores devem fazer parte do processo de cura. Deixar que a Palavra de Deus transforme nossos pensamentos é fundamental, já que o mundo tende a nos impor um padrão específico de pensamento e de beleza. É necessário que nossa mente seja recondicionada pela Palavra, permitindo que sejamos transformados (veja Romanos 12:1–2).
A Bíblia reforça o grande amor de Deus por nós, lembrando que somos Sua criação, feitos à Sua imagem (Gênesis 1:27–28; Salmo 139; Efésios 2:1–10). Deus nos ama e nos aceita em Cristo, independentemente do nosso peso, aparência ou dos alimentos que consumimos. Podemos confiar que Ele tem o controle, e assim descansar em Suas mãos capazes. Em vez de externalizarmos nossas angústias no nosso corpo por meio da alimentação, podemos entregá-las a Deus, cientes de Seu amor (1 Pedro 5:7). Podemos utilizar os alimentos para nutrir nossos corpos, cuidando deles como forma de honrar o Criador, bem como apreciar o prazer de comer com liberdade e gratidão pelos dons que Deus nos proporciona.
O caminho para a saúde e integridade pode ser longo, mas Jesus libertou os cristãos (Gálatas 5:1). O Espírito Santo tem o poder de quebrar as amarras dos distúrbios alimentares, e estando em Cristo, esse poder se torna acessível (Romanos 8:9–11). Os seguidores de Cristo não precisam ser definidos por esses distúrbios, já que nossa identidade está primeiramente em Cristo, que caminha conosco em todas as adversidades (João 16:33).
Seja alcançada a liberdade total dos vínculos dos distúrbios alimentares ou o cuidado saudável do corpo mediante a confiança em Deus mesmo nos momentos de luta, é certo que Ele está agindo em nossas vidas. Como descrito em Efésios: “Oro para que, segundo a riqueza da sua glória, nos conceda que sejamos fortalecidos no íntimo pelo seu Espírito, de forma que Cristo habite em nossos corações pela fé; e oro também para que, arraigados e alicerçados em amor, possamos compreender, juntamente com todos os santos, qual seja a largura, comprimento, altura e profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o conhecimento, para que sejamos preenchidos com toda a plenitude de Deus. Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” (Efésios 3:16–21).






