Qual é a glória de Deus?
A glória de Deus é a beleza do Seu espírito. Não se trata de uma beleza estética ou material, mas daquela que emana do Seu caráter, de tudo o que Ele é. Enquanto a glória do homem – a dignidade e a honra humanas – se esvai, a glória de Deus, que se manifesta em todos os Seus atributos, é eterna.
Moisés pediu a Deus: “Agora mostra-me a Tua glória”. Em resposta, Deus equiparou Sua glória a todo o Seu bem. Contudo, Ele declarou que ninguém poderia ver Sua face e permanecer vivo. Assim, para proteger Moisés da plenitude da Sua glória enquanto esta passava, Deus o escondeu numa fenda de uma rocha. Nenhum mortal pode contemplar o esplendor supremo de Deus sem ficar completamente sobrecarregado; a glória divina envergonha o orgulho humano, fazendo com que os olhares altivos sejam humilhados e a soberba seja posta de lado, exaltando somente o Senhor.
Frequentemente, no Antigo Testamento, a manifestação da glória de Deus vinha acompanhada de fogo sobrenatural, espessas nuvens e intensos tremores na terra. Quando a lei foi dada a Moisés, o Monte Sinai se cobriu de fumaça, pois o Senhor desceu sobre ele em chamas. A fumaça subia como a de uma fornalha e todo o monte tremia violentamente. O profeta Ezequiel teve uma visão impressionante: viu o que parecia ser um trono feito de lápis-lazúli, com, acima dele, uma figura semelhante a um homem. Da cintura para cima, essa figura assemelhava-se a metal resplandecente e, de lá para baixo, a fogo, cercada por uma luz brilhante que se espalhava como o vibrante arco-íris que aparece nas nuvens num dia de chuva. Essa era a aparência da glória do Senhor.
No Novo Testamento, a glória de Deus é revelada em Seu Filho, Jesus Cristo: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Nós vimos a Sua glória, a glória do Filho unigênito, vindo do Pai, cheio de graça e verdade.” Jesus veio para ser a luz, revelando tanto aos gentios quanto ao povo de Deus, e os milagres realizados por Ele foram sinais que manifestavam essa glória. Em Cristo, a glória de Deus se apresenta de forma modesta, acessível e compreensível, prometendo retornar, um dia, com poder e grande glória.
Deus salvou Israel para que Sua glória se manifestasse – e, nos redimidos, é possível ver a síntese da graça, do poder e da fidelidade divinos. A natureza também revela a glória de Deus, sendo um testemunho para todas as pessoas, independentemente da raça, origem ou localização. Os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento proclama a obra de Suas mãos, transmitindo, silenciosamente, uma mensagem que alcança todos os cantos da terra.
O céu próprio já é chamado de “glória”. Em alguns contextos, a morte é descrita como “recebida para a glória”, pois, quando o cristão deixa este mundo, ele é recebido na presença de Deus, cercado pela Sua majestade. Nesse encontro, a glória divina será percebida com absoluta clareza, como num reflexo que, no futuro, se transformará em um encontro face a face. Na futura Nova Jerusalém, a glória de Deus se manifestará de tal forma que a cidade não precisará do sol ou da lua para se iluminar, pois a própria glória divina a banhará em luz, tendo o Cordeiro como lâmpada.
Deus não compartilhará Sua glória com outrem. Entretanto, muitos tentam subverter esse dom, trocando a glória do Deus imortal por imagens que se assemelham a seres humanos, animais e outros ídolos. Somente Deus é eterno, e Seus atributos perfeitos – santidade, majestade, bondade, amor, entre outros – jamais devem ser trocados pelas imperfeições e corrupções deste mundo.







