O que significa que os crentes sejam sal e luz (Mateus 5:13-16)?

Pergunta

Resposta

Jesus utilizou os conceitos de sal e luz em diversas ocasiões para ilustrar o papel dos Seus seguidores no mundo. Um exemplo encontra-se em Mateus 5:13: “Vós sois o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, com que se tornará salgado? Não serve, a não ser para ser lançado fora e pisado pelos homens.” No Oriente Médio do primeiro século, o sal tinha duas funções importantes. Devido à ausência de refrigeração, ele era empregado para conservar os alimentos – especialmente a carne, que se deterioraria rapidamente no ambiente desértico. Assim, os crentes em Cristo atuam como agentes de preservação no mundo, protegendo a sociedade dos males inerentes aos homens ímpios, cujas naturezas não redimidas são corrompidas pelo pecado (Salmos 14:3; Romanos 8:8).

Em segundo lugar, o sal era utilizado, assim como hoje, para intensificar o sabor dos alimentos. Da mesma forma que o sal realça os sabores, os seguidores de Cristo se destacam por aprimorar a qualidade da vida neste mundo. Cristãos, vivendo sob a orientação do Espírito Santo e obedecendo a Cristo, inevitavelmente exercem uma influência positiva, da mesma maneira que o sal enriquece os alimentos. Onde há discórdia, somos chamados a ser pacificadores; onde impera a tristeza, atuamos como ministros de Cristo, curando feridas; e onde existe ódio, devemos exemplificar o amor de Deus por meio de nossas atitudes, retribuindo o bem em meio ao mal (Lucas 6:35).

Na metáfora da luz para o mundo, as boas obras dos seguidores de Cristo devem brilhar de forma evidente para todos. Em Mateus 5, lemos: “Vós sois a luz do mundo. Uma cidade edificada sobre um monte não pode ser escondida; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um alqueire, mas sobre o candelabro, para que ilumine todos os que estão na casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” A presença de luz em meio à escuridão é inconfundível. Assim também deve ser a presença dos cristãos: não somente a verdade da Palavra de Deus ilumina os corações sombrios dos pecadores (João 1:1-10), mas nossas boas ações devem ser visíveis a todos, seguindo os princípios do genuíno discipulado, como ilustrado nas Bem-Aventuranças em Mateus 5:3-11. Vale ressaltar que o objetivo não é chamar atenção para si mesmos, mas fazer com que os que observam glorifiquem o Pai que está nos céus.

Diante desses versículos, que atitudes podem dificultar ou impedir que o cristão cumpra seu papel de sal e luz no mundo? O texto é claro ao afirmar que a distinção entre o cristão e o mundo deve ser preservada; assim, qualquer escolha que apague essa diferença representa um desvio. Essa situação ocorre tanto quando se opta por aceitar os costumes do mundo em nome do conforto ou conveniência, quanto quando se desobedece a Cristo.

Marcos 9:50 sugere que a “salinidade” pode ser perdida através da ausência de paz entre os irmãos, conforme o mandamento de “ter o sal em si mesmos e estar em paz uns com os outros”. Em Lucas 14:34-35, a metáfora do sal é retomada no contexto do discipulado obediente a Jesus Cristo. Perder o “sabor” acontece quando o cristão deixa de tomar sua cruz diariamente e de seguir Cristo de todo o coração.

Parece, portanto, que o papel do cristão como sal e luz pode ser comprometido por qualquer escolha que opte pelo que é mais cômodo e confortável, em detrimento do que é verdadeiramente melhor e agradável ao Senhor. A condição de sal e luz resulta da humilde obediência aos mandamentos de Cristo. É somente ao mantermos nosso foco em Cristo e vivermos em plena obediência que conseguiremos preservar nossa identidade e impactar o mundo com nosso testemunho.

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