Os judeus são salvos porque são o povo escolhido de Deus? Os judeus irão para o céu mesmo que não confiem em Jesus?

Os judeus são salvos por serem o povo escolhido de Deus? Os judeus irão para o céu mesmo que não confiem em Jesus?

Os judeus são o povo escolhido de Deus, de acordo com Deuteronômio 7:6, mas isso não significa automaticamente que todos sejam salvos. Jesus declarou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Esse “ninguém” engloba tanto judeus quanto gentios. Para que um judeu seja salvo, é necessária a fé em Jesus, o Messias.

João Batista advertiu seu público judeu para que não confiassem que apenas sua linhagem os justificava diante de Deus: “Produzam frutos compatíveis com o arrependimento. E não comecem a dizer entre vocês: ‘Temos Abraão como nosso pai.’ Pois eu lhes digo que, destas pedras, Deus pode levantar filhos para Abraão”. Independentemente de nossa origem, todos precisamos nos arrepender. Antepassados físicos não garantem uma conversão espiritual; até Nicodemos, um governante judeu, precisou nascer de novo para ver o reino de Deus.

O apóstolo Paulo enfatizou, em suas epístolas, a necessidade da fé. Abraão é o exemplo primordial de alguém justificado pela fé, independentemente da Lei – que ainda não havia sido dada em sua época – pois “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça. Assim, os que têm fé são filhos de Abraão.” Essa ideia também é refletida na proclamação de Jesus a respeito de Zaqueu: “Hoje a salvação chegou a esta casa, porque este também é filho de Abraão.” O arrependimento e a fé em Cristo transformaram Zaqueu em um verdadeiro filho de Abraão, o pai de todos os que creem.

Em outro trecho, Paulo contrasta aqueles que se apoiam apenas na linhagem física e na observância externa da Lei com aqueles que possuem fé genuína, independentemente de sua herança: “A pessoa não é judia meramente pela aparência exterior, nem a circuncisão é apenas física. A verdadeira judia é aquela que é interior, e a circuncisão é a do coração, pelo Espírito, e não pela letra da lei.” A salvação é uma obra do Espírito no coração; portanto, ser de descendência judaica ou estar fisicamente circuncidado não garante o acesso ao reino dos céus. Somente a graça de Deus, por meio da fé em Jesus Cristo, oferece salvação.

O homem rico na história de Jesus era judeu, mas, após a morte, encontrou tormento no Hades. No seu sofrimento, ele clamou a “Pai Abraão”, demonstrando que era apenas um descendente físico de Abraão, sem a fé que o qualificaria espiritualmente. Assim, mesmo sendo judeu, ele não foi salvo do inferno.

O conceito cristão de salvação do pecado não tem equivalente no judaísmo moderno. O judaísmo não ensina que o homem, por sua natureza, seja mau ou pecador a ponto de necessitar ser “salvo” de uma condenação eterna. De fato, a maioria dos judeus atualmente não acredita em um castigo eterno ou em um inferno literal. Quando um judeu erra ou deixa de cumprir as leis divinas, acredita-se que o perdão pode ser obtido por meio da oração, do arrependimento e de boas ações.

Essa crença em conseguir o perdão sem um sacrifício de sangue contrasta com a Torá, que prescreve claramente o meio para a expiação: “A vida da carne está no sangue; e eu o dei a vocês sobre o altar, para fazer expiação por suas almas; pois é o sangue que expia a alma.” O sacrifício no templo era o ponto central da expiação judaica. Anualmente, no Dia da Expiação (Yom Kippur), o sumo sacerdote levítico entrava no Santo dos Santos e aspergia o sangue do sacrifício sobre o propiciatório, promovendo a expiação dos pecados de todo Israel. Contudo, após a destruição do templo em 70 d.C., os judeus permaneceram quase 2.000 anos sem um templo e, consequentemente, sem sacrifícios para expiação. Aqueles que rejeitam o sacrifício de Jesus descobrirão que “não resta nenhum sacrifício pelos pecados, mas apenas uma terrível expectativa de juízo e um fogo ardente que consumirá os inimigos de Deus.”

O Brit Chadasha (a Nova Aliança ou Novo Testamento) ensina que o Messias judeu, Jesus de Nazaré, veio para as “ovelhas perdidas da casa de Israel” pouco antes da destruição do templo em Jerusalém. Quando Cristo veio como sumo sacerdote das coisas boas já presentes, ele adentrou o tabernáculo maior e mais perfeito, que não foi feito por mãos humanas – isto é, não faz parte desta criação. Ele não entrou pelo sangue de cabras e bezerros; mas, por meio do seu próprio sangue, entrou no Lugar Santíssimo de uma vez por todas, obtendo a redenção eterna. Se o sangue de cabras, touros e as cinzas de uma novilha aspergidas sobre os que se consideram impuros os purificava externamente, quanto mais o sangue de Cristo, que se ofereceu imaculado a Deus pelo Espírito eterno, limpará nossa consciência dos atos que levam à morte, para que possamos servir ao Deus vivo!

O Novo Testamento ensina que todos, judeus e gentios, pecaram contra Deus. Estamos todos sujeitos às consequências do pecado, e “o salário do pecado é a morte”. Todos necessitamos de salvação; todos precisamos de um Salvador. Jesus veio buscar e salvar os perdidos, afirmando que “a salvação não se encontra em ninguém outro, pois não há outro nome abaixo do céu dado aos homens pelo qual devamos ser salvos.”

Em Cristo, não há distinção entre judeus e gentios. Embora os judeus sejam o povo escolhido de Deus e tenham sido o meio pelo qual o Messias veio para abençoar todas as nações, é somente por meio de Jesus que judeus – ou qualquer outra pessoa – podem encontrar o perdão divino.

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