Quando ocorrerá a Ressurreição?
A Bíblia é clara ao afirmar que a ressurreição é uma realidade e que esta vida não é tudo o que existe. Embora a morte marque o fim da vida física, ela não encerra a existência humana. Muitos acreditam numa única ressurreição geral no final dos tempos, mas as Escrituras ensinam que acontecerão não uma, mas várias ressurreições – algumas para a vida eterna no céu e outras para a condenação eterna.
A primeira grande ressurreição foi a de Jesus Cristo. Esse evento está registrado em cada um dos quatro Evangelhos e é citado diversas vezes no livro de Atos, além de ser mencionado nas cartas dirigidas às igrejas. A importância da ressurreição de Cristo é enfatizada em passagens que afirmam que, ao ter sido ressuscitado, Ele se tornou a “primícia” e garantia para cada cristão de que também será ressuscitado. Essa ressurreição fundamenta a certeza de que todos os que morreram ressuscitarão para enfrentar um julgamento justo e imparcial conduzido por Jesus. Enquanto a ressurreição para a vida eterna é descrita como “a primeira ressurreição”, a ressurreição relacionada ao juízo, com tormentos, será seguida pela “segunda morte”.
A primeira grande ressurreição da igreja ocorrerá no momento do arrebatamento. Aqueles que confiaram em Jesus Cristo durante a era da igreja e que já haviam morrido antes do retorno de Cristo serão ressuscitados nesse evento. A era da igreja teve início no dia de Pentecostes e terminará com o retorno de Cristo, quando os crentes serão levados de volta ao céu. O apóstolo Paulo ensina que nem todos os cristãos experimentarão a morte, mas todos serão transformados, recebendo corpos ressuscitados, alguns até sem precisar morrer. Tanto os crentes que estiverem vivos quanto aqueles que já faleceram serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e permanecer com Ele para sempre.
Outra grande ressurreição ocorrerá quando Cristo retornar à terra – Sua segunda vinda – ao final do período de tribulação. Após o arrebatamento, que encerra a era da igreja, a tribulação se configura como o próximo capítulo na cronologia divina. Esse será um tempo de severo juízo sobre o mundo, descrito em detalhes no livro do Apocalipse. Embora os crentes da era da igreja já tenham partido, milhões de pessoas que permanecerem na Terra se conscientizarão nesse período e crerão em Jesus como Salvador. Infelizmente, a maioria pagará com a própria vida por sua fé. Esses crentes que morrerem durante a tribulação serão ressuscitados no retorno de Cristo para reinar com Ele por mil anos. Inclusive, crentes do Antigo Testamento, como Jó, Noé, Abraão, Davi e até João Batista – que foi assassinado antes do início da era da igreja – serão ressuscitados nesse tempo. Diversos trechos do Antigo Testamento referem-se a esse evento, e ainda que algumas passagens empreguem uma linguagem simbólica sobre os mortos voltando à vida, fica claro que todos os crentes, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, participam da ressurreição para a vida.
É possível que ocorra uma ressurreição dos justos ao final do milênio, fato implícito nas Escrituras, embora não explicitamente ensinado. Alguns crentes podem experimentar a morte física durante esse período. Por meio do profeta Isaías, Deus declarou que “não haverá mais, no milênio, um infante que vive por poucos dias ou um idoso que não cumpra os seus anos”. Por outro lado, é igualmente possível que a morte no milênio recaia apenas sobre os desobedientes. Seja qual for o caso, alguma forma de transformação será necessária para que os corpos dos crentes se adaptem a uma existência plena durante o milênio.
Em um tempo futuro, após o juízo final, Deus destruirá todo o universo – incluindo a Terra – com fogo, a fim de purificar a criação do mal endêmico e da decadência provocada pelo pecado humano. Em seguida, Ele criará novos céus e uma nova Terra. Porém, o que acontecerá com os crentes que sobreviveram à tribulação e entraram no milênio com seus corpos naturais? E com aqueles que nascerem durante o milênio, confiaram em Jesus e continuarem a viver em seus corpos naturais? Paulo ensinou que a carne, mortal e sujeita à decadência, não pode herdar o reino de Deus. Somente aqueles que receberem corpos ressuscitados e glorificados, imunes à deterioração, habitarão esse reino eterno. Esses crentes provavelmente receberão corpos de ressurreição sem que seja necessário passar pela morte novamente – ainda que o momento exato dessa transformação não seja especificado, ele ocorrerá na transição entre a antiga e a nova Terra.
Por fim, haverá uma ressurreição final, abrangendo aparentemente todos os mortos incrédulos de todas as eras. Jesus Cristo os ressuscitará após o milênio, encerrando o reinado de mil anos. Essa ressurreição, descrita em termos que lembram o despertar “do pó da terra… para vergonha e desprezo eterno”, é também a ressurreição de julgamento anunciada por Jesus. O apóstolo João viu um “grande trono branco” sendo preparado para julgar os ímpios, enquanto o Céu e a Terra fugiam da presença daquele que estava no trono, em busca de refúgio da Sua ira. Todos os mortos, incapazes de experimentar redenção, se apresentarão diante desse trono, portando corpos ressuscitados que, embora sintam dor, jamais deixarão de existir, e serão julgados de acordo com suas obras. Entretanto, um outro livro será aberto – o livro da vida – que conterá apenas os nomes dos abençoados, aqueles que receberam o perdão e participaram da primeira ressurreição, a ressurreição para a vida.






