Quem foi Simão o Feiticeiro?

Quem foi Simão, o Feiticeiro?

Pergunta

Resposta

Simão, o Feiticeiro, às vezes referido como Simão Mago ou Simão de Gitta, é mencionado por Lucas no livro de Atos. Ele surgiu após o estabelecimento da igreja em Samaria. Apesar de ser uma figura secundária na história do Novo Testamento, Simão também aparece em textos gnósticos, onde seu personagem e biografia são ampliados. Contudo, essas narrativas dificilmente podem ser consideradas historicamente confiáveis, devido à natureza desses escritos e à sua autoria anônima.

Não está claro onde Simão nasceu. No livro de Atos, é afirmado que ele “maravilhou todo o povo de Samaria”, porém o relato não o identifica necessariamente como samaritanos. O apologista cristão Justino Mártir teria propagado a ideia de que Simão era um samaritano da cidade de Gitta, tradição que foi adotada pela igreja primitiva e por alguns historiadores até os dias atuais. Já o judeu chamado Simão, que “fazia-se passar por mágico”, é mencionado pelo historiador Josefo na obra Antiguidades dos Judeus – contudo, aparentemente trata-se de uma figura histórica diferente, pois este Simão teria nascido em Chipre.

A feitiçaria, fortemente condenada por Deus (segundo as Escrituras), era prática comum no mundo antigo. Enquanto alguns atos e demonstrações consistiam meras ilusões, outros atuavam com o poder de Satanás, numa tentativa de desacreditar a autoridade divina. Pelo relato de Lucas, Simão pertencia a esse último grupo, pois deslumbrava os samaritanos “por um longo tempo com sua feitiçaria”, chegando alguns a proclamarem-no “o grande Poder de Deus”, um título de cunho messiânico.

Curiosamente, mesmo tendo sido capacitado por Satanás, Simão não demonstrava lealdade ao domínio demoníaco. Ao ouvir e ver o discípulo Filipe anunciando “as boas novas do reino de Deus e o nome de Jesus Cristo”, Simão foi batizado e passou a seguir Filipe por onde quer que ele fosse.

A narrativa bíblica explica que “o Espírito Santo ainda não havia descido” sobre os samaritanos. Mais tarde, com a chegada dos apóstolos Pedro e João, o Espírito Santo desceu sobre os crentes. Ao presenciar esse acontecimento, Simão ofereceu dinheiro e solicitou: “Dê-me também essa capacidade, para que todo aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo”. Diante dessa atitude gananciosa, Pedro repreendeu-o severamente, afirmando que ele precisava “se arrepender dessa maldade e orar ao Senhor na esperança de que Ele possa perdoá-lo por nutrir tais pensamentos”. Temendo as palavras do apóstolo, Simão implorou que Pedro orasse ao Senhor em seu favor.

Após esse episódio, a Bíblia não faz mais menção a Simão, o Feiticeiro. Embora textos apócrifos e gnósticos tenham tentado enaltecer seu papel como feiticeiro e suas supostas habilidades satânicas, o relato bíblico sugere que Simão se arrependeu e possivelmente continuou a ser membro da igreja local em Samaria. Por outro lado, apologistas como Justino Mártir e Irineu afirmam que ele teria se tornado um anticristo, mantendo-se na prática da feitiçaria e inclusive fundando o gnosticismo. A ganância de Simão ficou marcada na história, dando origem ao termo moderno simonia, que designa o ato de “utilizar a religião como meio de lucro”.

Os cristãos contemporâneos podem aprender com essa narrativa a importância de se ter cautela com aqueles que afirmam possuir habilidades sobrenaturais ou que pretendem “comprar o dom de Deus com dinheiro”, pois tais atitudes indicam um coração que não está corretamente voltado para Deus.

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