À nona hora, Jesus bradou em alta voz, dizendo: “Eli, Eli, lama sabachthani? Ou seja, Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Esse clamor cumpre o que está escrito no Salmo 22:1, um dos muitos paralelismos entre esse salmo e os eventos específicos da crucifixão. É difícil compreender em que sentido Jesus foi “abandonado” por Deus. É certo que Deus aprovou a obra Dele. É certo que Jesus era inocente, não tendo feito nada para perder o favor de Deus. Como Filho próprio de Deus — santo, inofensivo, incorruptível e obediente —, Ele sempre foi amado por Deus. Em nenhum desses aspectos Deus poderia tê-Lo abandonado.

O profeta Isaías diz a respeito do Messias: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores; contudo, o consideramos castigado por Deus, ferido e afligido. Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” (Isaías 53:4–5). Jesus nos redimiu da maldição da lei, tornando-Se maldição por nós (Gálatas 3:13). Ele foi feito oferta de pecado e morreu em nosso lugar, por nossa causa, para que pudéssemos nos aproximar de Deus. Sem dúvida, foi isso que intensificou os Seus sofrimentos e parte do motivo pelo qual Jesus disse: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Foi a manifestação, de forma inexplicada, do ódio de Deus pelo pecado que Jesus experimentou naquela hora terrível. O sofrimento que Ele suportou foi por nós, e é por meio dele que podemos ser salvos da morte eterna.
Naquelas horas terríveis, enquanto homens maus faziam o que quisessem com Jesus, nosso Senhor expressou Seus sentimentos de desamparo. Deus sobrecarregou Seu Filho com os pecados do mundo, e, por um tempo, Jesus sentiu a desolação de estar sem a presença de Seu Pai. Foi nesse momento que “Deus o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos a justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).
Há ainda outra possível razão para Jesus clamar “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”: pode ser que a intenção de Jesus, ao citar o Salmo 22:1, fosse direcionar os ouvintes para esse salmo. Ao lermos o Salmo 22, perceberíamos, sem dúvida, as muitas profecias cumpridas contidas naquele cântico de Davi. Mesmo em meio à agonia da cruz, Jesus ensinava as multidões e provava, mais uma vez, que Ele era o Messias que cumpria as Escrituras.






